Como as escolas estão superando o desafio da COVID-19

A pandemia de COVID-19 representou um grande desafio para a gestão educacional. Saiba como escolas mundo afora lidaram com o problema.

Por Marketing em 01 de junho de 2020.

O surgimento do novo coronavírus mudou drasticamente nossas rotinas. Afinal, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda expressamente o isolamento social e evitar aglomerações. 

Isso multiplicou os trabalhos realizados em home office e os serviços que implementaram o delivery como parte do seu negócio, a fim de mantê-los ativos durante a quarentena.

Esses são apenas alguns exemplos disso. Um dos maiores impactos, no entanto, foi a gestão educacional em tempos de coronavírus.

Escolas, universidades e centros de ensino funcionam majoritariamente no sistema presencial, portanto suas atividades em meio a uma pandemia poderiam trazer riscos aos alunos e profissionais.

A partir daí uma grande questão se levantou: como dar continuidade ao processo educacional e superar os desafios das escolas com o coronavírus em um cenário como esse, que limita tanto o contato e o convívio social?

Para uma live no canal da Sponte no YouTube, convidamos o especialista em educação Denis Drago, que falou sobre como instituições de ensino ao redor do mundo estão lidando com essa nova realidade.

Denis discutiu também quais metodologias estão sendo aplicadas para que o processo educacional possa continuar.

Confira:

Desafios da gestão escolar com o novo coronavírus

Como as escolas estão superando o desafio da COVID-19? | Sponte

Quando se fala de metodologias e práticas empregadas em instituições de ensino ao redor do mundo, é necessário ter em mente que cada país, cada região, cada município, possui contextos próprios que podem ou não possibilitar determinadas práticas.

Para Denis, é muito complicado pensar em soluções prontas. Segundo o especialista, é necessário entender a conjuntura em que a instituição está inserida, ouvir a equipe pedagógica, a gestão escolar e as famílias dos alunos, para só então bolar uma ideia que se adapte às necessidades da escola.

Mas para entender melhor as possibilidades deste momento, o especialista, junto com sua equipe, realizou uma pesquisa com 14 pessoas, entre professores, gestores, pais e alunos de 9 países. 

A partir das falas e experiências coletadas, foi possível traçar um panorama de como algumas escolas pelo mundo estão lidando com seus próprios dilemas, dentro de seus contextos particulares.

A partir do momento em que houve a necessidade de implementar o ensino à distância, cada instituição empregou sua própria metodologia dentro de sua plataforma de preferência. Ainda assim, segundo observou Drago, dois pontos apareceram em comum em todas elas:

  1. A primeira medida adotada pelas instituições em geral foi enviar atividades a serem realizadas em casa. Algumas escolas, inclusive, já faziam uso de plataformas digitais e isso foi um fator facilitador nesse cenário.
  2. Após o envio de atividades, uma nova questão surgiu: o ensino à distância significou uma quebra na rotina escolar. “A escola precisou, logo depois da entrega das atividades, começar a ajudar essas famílias a criar e manter as suas rotinas”, contou o especialista.

A relação escola-família

Neste momento delicado em que todos estão em casa, a participação da família se tornou ainda mais importante para a construção de uma rotina saudável de estudo para os alunos. 

Nesse cenário, o papel dos pais e responsáveis se soma diretamente ao da gestão educacional, na missão de auxiliar os professores para que o processo de ensino à distância cumpra seu propósito.

Em outros tempos, a presença do aluno no espaço online era reduzida e controlada pela escola e pais. Hoje é justamente o contrário: o aluno é incentivado a estar on-line. 

Por isso é importante que as instituições familiares e educacionais trabalhem juntas, respeitando as possibilidades que a escola oferece e o contexto social de cada família. 

Casos de instituições pelo mundo

Em todos os países, o novo cenário traçado pela pandemia interrompeu a rotina escolar e atravessou aspectos socioculturais, exigindo das instituições de ensino muita criatividade e flexibilidade para contornar a situação. 

Entre erros e acertos, as escolas, famílias e alunos vão se adaptando como podem às novas didáticas.

Entre os casos dos 14 entrevistados em 9 países, alguns chamaram bastante a atenção do especialista. Ele diz que na Inglaterra, por exemplo, o fechamento das escolas foi algo inédito, nunca visto mesmo em épocas de guerra.

Ao entrar em contato com um gestor de escola de Portugal, Denis comenta que o entrevistado pôde, durante a quarentena junto de sua família, observar duas metodologias muito diferentes em funcionamento. 

Segundo o relato do gestor, um dos jovens de sua família estuda em uma escola particular, com uma metodologia tradicional, já outro, em uma escola pública, com uma metodologia mais flexível. 

O entrevistado notou diferenças significativas no que tange à relação aluno-professor, afetando diretamente o rendimento da aula. Foi o que ele chamou “técnica da força versus a força da técnica” (se referindo à metodologia tradicional da escola particular e a metodologia da escola pública, respectivamente).

Relacionado às novas técnicas de ensino postas em práticas por algumas escolas, Denis destaca a fala de uma entrevistada do Brasil. Profissional da educação, ela ressalta que este é o momento ideal para colocar em prática ideias e técnicas inovadoras de ensino, que antes não ganhavam espaço frente às metodologias tradicionais de educação.

O pesquisador conta também de um caso do Canadá, país com um sistema educacional tido por muitos como modelo. Em sua fala, ele salienta que as escolas canadenses integram questões como cidadania e responsabilidade social em todo o ensino. 

Com a pandemia, as escolas criaram uma nova disciplina ministrada à distância, com aulas online, na qual aproveitam a oportunidade para que o aluno observe e entenda seu papel neste contexto.

Em compensação, outro caso que o pesquisador trouxe para o bate-papo se passa em Singapura. “Singapura é um país muito pequeno, mas muito internacionalizado”, diz ele.

“Os hubs de internet são para os grandes centros comerciais, não para as residências. Então isso começou a dar problema de conectividade”, conta, ao relatar um caso de uma escola que teve problemas ao implementar as videoaulas pela internet.

Apesar da tecnologia se mostrar como a grande aliada da educação no momento atual, em muitos países não é possível contar com esse recurso 100% do tempo. 

Vários lugares possuem acesso limitado à internet, o que dificulta o trabalho de educadores. Ainda assim, muitas escolas conseguem contornar a situação como podem. É o caso de uma instituição de ensino de Moçambique.

Denis conta que entrevistou uma diretora, a fim de entender como a gestão escolar está enfrentando a situação de educação meio ao isolamento social naquele contexto. 

“Lá, no contexto deles, nem todos os alunos têm celular, mesmo os de escola particular. Muitos têm telefones compartilhados ou não tem acesso. E quando têm acesso, não têm internet, porque não é comum ter wi-fi ou internet liberada como temos aqui”, conta o especialista. 

Para resolver o problema, a escola criou aulas de 3 a 4 minutos por áudio ou vídeos (não muito longos) de gravação de telas de apresentação, ambos para enviar por WhatsApp.

Além disso, a escola instalou um processo de drive thru. Uma vez por semana, os pais passam na escola pegar os materiais para complementar o que é enviado via WhatsApp.

No caso de alunos que não possuem acesso à internet, os pais vão até a escola, aprender com o professor (com distanciamento físico), para depois voltar para a casa e ensinar ao filho.

Esses, entre outros casos, mostram que não há uma solução pronta para enfrentar a situação imposta à educação pela pandemia da COVID-19. Cada instituição, dentro de seu próprio contexto, estrutura e recursos, procura a forma mais adequada para continuar o processo educacional de forma eficiente.

O futuro da escola com o coronavírus

Como as escolas estão superando o desafio da COVID-19? | Sponte

Uma das maiores questões atualmente é como se dará o dia-a-dia das escolas dentro do que chamamos de “novo normal”, isto é, como vai ser a educação pós-coronavírus

Nos países que gradativamente saem da quarentena, novas ideias vão surgindo para a retomada após COVID-19.

Desde aulas com parte dos alunos presentes e parte à distância, até esquemas de revezamento dos dias de aula com turmas reduzidas e divididas. Mesmo assim, é difícil dizer como se dará esse processo no Brasil.

Denis Drago comenta que a educação brasileira pós-pandemia ainda é incerta, pois o processo educacional muda rapidamente, apresentando soluções inovadoras adaptadas a contextos diferentes. A estrutura física e recursos da escola são cruciais para definir qual será a saída para os desafios que vêm a seguir.

Por fim, o especialista afirma que “O que ficou muito marcado para mim foi uma necessidade da escola cada vez mais se entender não sendo como um centro de ensino e aprendizagem. Mas a escola funcionando como um centro social, um local de referência, que é o ponto que sentimos falta enquanto pais”.

Dessa forma, a questão é evidenciar o papel da escola na construção do entendimento do aluno acerca de seu papel na comunidade, seus direitos, seus deveres e seus limites dentro do convívio social.

E você, quais metodologias e práticas está aplicando em sua instituição de ensino durante essa pandemia? Conte para a gente nos comentários!

Neste momento, ferramentas para uma gestão escolar mais digital se mostram mais importantes do que nunca.

Aproveite para aprender ainda mais sobre a gestão escolar em tempos de coronavírus nos webinars Sponte:

Marketing / Analista de Marketing

Atualmente é Analista de Marketing, com mais de 04 anos de experiência na área da comunicação, faz parte do time da Sponte há 1 ano.