Por Cristopher Morais, 13 de setembro de 2021

Saúde mental dos alunos: 4 sinais de problemas emocionais que a escola pode ajudar a identificar

Entenda como isso pode afetar no dia-a-dia de sua escola e como identificar esses problemas em seu ano letivo a todo momento

Saúde mental dos alunos: como a escola pode ajudar?

Além da importante função no ensino formal das crianças e adolescentes, a escola de Educação Básica também costuma ser um espaço de socialização e de desenvolvimento comunitário para seus alunos. Por isso, geralmente, é no ambiente escolar que eles costumam dar os principais sinais de problemas de saúde mental.

Esses problemas podem ter diferentes origens. Pode ser que a família esteja passando por um momento particularmente difícil ou que o aluno tenha sofrido bullying no ambiente escolar, por exemplo. 

Mas, seja qual for a situação, a equipe pedagógica precisa estar preparada para perceber os sinais que a criança ou o adolescente apresenta, a fim de ajudá-lo a trabalhar sua saúde mental na escola.

Nesse contexto, a Sponte listou alguns sinais que a escola pode ficar atenta para ajudar a identificar esses casos e alertar os pais e responsáveis, além de incentivá-los a procurar ajuda profissional caso seja necessário. Acompanhe a leitura e confira:

Sinais de falta de autoestima no aluno
Sonolência frequente em sala de aula
Isolamentos dos colegas na escola
Demonstrações de ansiedade durante aulas e avaliações

Sinais de falta de autoestima no aluno

Esse é um problema que pode ter diversas raízes. Mas, quando o assunto é escola, muitas vezes ele está ligado ao processo de aprendizagem. 

Quando um aluno está com dificuldade em acompanhar o ritmo da turma, ele pode sentir-se diferente dos demais, menos capaz e, consequentemente, excluído.

Saiba como identificar os sinais de comprometimento da saúde mental dos alunos e como sua escola de educação básica pode ajudar a cuidar deles

Se não for identificado e bem trabalhado, o problema pode crescer a ponto de afetar o rendimento do estudante em todas as disciplinas. Tudo simplesmente porque ele acha que não é capaz de conseguir resultados satisfatórios e que, talvez, não valha a pena sequer tentar. 

São pensamentos equivocados, é claro, mas o adolescente ou a criança não tem consciência disso. Sua autoestima está tão afetada que ele realmente desacredita de seu potencial.

A queda na autoestima também pode ser causada por bullying e pela relação com os colegas. Isso pode piorar seu comportamento e prejudicar seu desenvolvimento social.

Mas seja qual for a origem do problema, a longo prazo, o resultado pode ser catastrófico, como um aluno que não deseja mais ir à escola. Esse pode ser, inclusive, um motivo para evasão de alunos na Educação Básica.

Assim, a gestão educacional precisa orientar o corpo pedagógico a dar uma atenção especial a esses casos, não só para contornar o desafio dos alunos com a aprendizagem, mas também para que o estudante entenda melhor a diversidade no ambiente escolar.

As pessoas são diferentes, aprendem de formas e em ritmos distintos, e não precisam se encaixar em padrões pré-estabelecidos. Uma escola inclusiva deve demonstrar isso e ajudar o aluno com sua autoestima.

Leia mais: Como trabalhar as diferenças na escola e promover o respeito entre os alunos.

Sonolência frequente em sala de aula

Sonolência frequente em sala de aula

Outro fator que pode indicar algum problema emocional, ou até físico, é o excesso de sono e apatia durante o período de permanência na escola. A sonolência durante as aulas pode demonstrar que o aluno está com dificuldades para dormir à noite, ou que ele não dorme o suficiente.

Diferentes especialistas afirmam que distúrbios no sono são sintomas muito característicos de problemas de saúde mental. Tanto que 92% das pessoas com depressão são afetadas por dificuldades na hora de dormir.

A dificuldade para dormir pode ter origem em algum problema emocional, que causa insônia ou um sono entrecortado e agitado, enquanto não dormir o suficiente pode estar relacionado a uma rotina familiar mais agitada e com poucas horas dedicadas ao descanso.

Para as crianças que não estavam acostumadas a passar tanto tempo em casa, o distanciamento social imposto pela pandemia foi um fator de peso para a alteração do sono se tornar um novo desafio aos alunos

De fato, organizar a rotina em casa durante esse período foi motivo de preocupação para muitos pais e responsáveis.

Dessa forma, é papel da escola conversar com a família para identificar o real problema do aluno: será que a falta de sono é fruto de uma rotina mal ajustada? Ou será que ele enfrenta crises de ansiedade à noite?

Dependendo da causa, as escolas podem ajudar até certo ponto. É muito interessante que a equipe pedagógica trabalhe junto com os pais e responsáveis para orientá-los a criar uma rotina adequada, atendendo as necessidades fisiológicas da criança ou do adolescente.

Em casos mais severos, a melhor opção é recomendar uma consulta com um pediatra ou clínico geral para que sejam realizados exames mais específicos. Dependendo da situação, pode ser necessário fazer um acompanhamento mais rigoroso com um médico especialista de sono.

Se a chave da questão for mesmo um problema na saúde mental, como transtorno de ansiedade, é preciso procurar um profissional de psicologia ou até mesmo de psiquiatria.

Leia mais: 10 problemas que adolescentes enfrentam na escola.

Isolamentos dos colegas na escola

Isolamentos dos colegas na escola

A escola pode ser um ambiente intimidador para as crianças pequenas em seu primeiro ano, e até para as crianças mais velhas, principalmente quando há uma mudança para uma nova instituição. 

Nesses casos, é comum que a timidez fale mais alto e o aluno comece mais retraído, mas que vá se soltando ao longo do tempo, se entrosando com a turma e fazendo novos amigos.

Contudo, infelizmente, para alguns estudantes, essa não é apenas uma fase, mas sim um comportamento que se estende. Quando um aluno passa a se isolar e evitar contato com os colegas e até com o professor, está na hora de se preocupar e notificar a família.

Afinal, o excesso de timidez e introspecção afeta o relacionamento com a comunidade escolar e pode desencadear outros problemas na saúde mental dos alunos — como falta de autoconfiança, ansiedade, insegurança e até depressão — ou, aliás, pode ser um sinal de que esses problemas já são uma realidade.

Isso é ainda mais evidente se o aluno costumava ser entrosado com a turma, mas começou, repentinamente, a demonstrar uma vontade frequente de se isolar de todos. Esses casos geralmente são sinais sérios de algum problema emocional.

A gestão educacional deve, então, trabalhar junto aos pais e responsáveis para identificar o motivo desse comportamento. 

Pode ser reflexo de algo que esteja acontecendo na casa ou, então, de um acontecimento na própria escola. Não é incomum que alunos vítimas de bullying, por exemplo, se isolem dessa forma. Isso porque esse tipo de assédio faz a vítima acreditar que não é bem-vinda e que não há espaço para ela naquele grupo.

Quando a criança se isola nessa intensidade, o melhor a se fazer é buscar um profissional, pois esse é o tipo de problema na saúde mental dos alunos que nunca vem sozinho

Geralmente, ele demanda de um período de acompanhamento e tratamento. Portanto, encaminhar o aluno para um psicólogo tende a ser a melhor escolha (mas ela deve ser tomada em conjunto com a família).

Demonstrações de ansiedade durante aulas e avaliações

Todos ficamos ansiosos quando aparece algo diferente em nossa rotina. A ansiedade, nesse caso, é um mecanismo do nosso cérebro que nos deixa em alerta para uma ocasião que consideramos importante ou ameaçadora. Ou seja, ela é uma forma de proteção.

Entretanto, quando essa ansiedade atrapalha o dia a dia da criança ou do adolescente, é um sinal de que ela está começando a tomar uma forma patológica.

A ansiedade pode ser identificada pela análise do comportamento. Por exemplo, quando um aluno fica sabendo de um passeio que ocorrerá no futuro e ele não para de falar disso: isso atrapalha sua concentração nas atividades? Atrapalha seu sono? É motivo de preocupação ou nervosismo?

Quando o caso ocorre vez ou outra, e de forma branda, existem diversas técnicas que ajudam a superá-lo. Por exemplo:

– Interromper a atividade corrente

– Respirar profundamente

– Realizar uma rápida meditação

– Beber água (ajuda a controlar a respiração)

– Tirar o foco do assunto que gera a ansiedade

No entanto, se o aluno de fato entra em crise, isso é um sinal de que a saúde mental pode estar afetada e merece uma atenção especial. Geralmente, as crises vêm acompanhadas de sintomas, como: dificuldade de respirar, sensação de falta de ar, crises de choro, tremores, taquicardia, suor excessivo, náuseas e boca seca.

Nessas situações, é importante que a gestão educacional mantenha um diálogo com os pais e responsáveis e oriente-os sobre as opções para resolver o transtorno.

Nem sempre isso significa que o aluno precisa de um tratamento à base de medicamentos, pode ser que acompanhamento com um psicólogo seja o suficiente a longo prazo. Mas isso só pode ser verdadeiramente avaliado por um profissional.

Portanto, ao perceber sinais frequentes de crises de ansiedade, a escola precisa comunicar a família e indicar o encaminhamento correto para, só então, após um diagnóstico preciso, ser indicado o tratamento adequado.


A saúde mental dos alunos, assim como seu bem-estar em geral, é preocupação de toda a comunidade escolar. Por essa razão, é importantíssimo desenvolver as habilidades socioemocionais na escola e buscar uma ação conjunta entre a família e a gestão pedagógica.

Essa atuação é essencial para garantir o conforto e a saúde dos estudantes de sua instituição. Portanto, sua equipe realmente precisa prestar atenção nesses quatro sinais e buscar desenvolver uma escola mais inclusiva, representativa e aberta para seus estudantes.

Para tudo isso, é fundamental ter formas de contato claras e diretas entre escola, alunos, pais e responsáveis. Para saber mais sobre isso, acesse nosso eBook e saiba como organizar sua comunicação escolar com muito mais abertura.

Como melhorar a comunicação entre escolas e alunos?

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