Timidez do aluno: quando devemos nos preocupar?

Saiba como lidar com esse problema em sua instituição de ensino para ter sucesso em sua gestão escolar e melhor aproveitamento de seus alunos

Por Sponte em 10 de agosto de 2017.

Introversão e extroversão são caraterísticas da personalidade que estão ligadas ao fator biológico, ou seja, a criança nasce com ela. Mas essas caraterísticas podem e devem ser trabalhadas para que as crianças dos dois grupos se desenvolvam de maneira igual. Não há nada de errado com um aluno tímido, entretanto se essa timidez interfere na capacidade cognitiva, na interação interpessoal ou no desenvolvimento escolar está na hora de se preocupar e criar mecanismos para ajudar o aluno a superar a timidez.

Como reconhecer um aluno tímido?

Os sinais comuns da timidez são familiares: o aluno fala pouco, reluta em participar de atividades com outras crianças, fala em tom de voz baixa, evita o contato visual, raramente se oferece para participar de discussões, etc.

Muitas vezes alunos mais agitados e bagunceiros costumam receber maior atenção do professor, pois é mais fácil perceber que eles precisam de uma intervenção. Todavia, alunos tímidos necessitam de uma atenção especial, pois podem estar passando por dificuldades de forma silenciosa.

Mas como perceber que um aluno tímido está passando por dificuldades?

Há diversos níveis de timidez. Os menos profundos são saudáveis – o aluno costuma não falar tanto, mas interage com os colegas, não encontra muita dificuldade em fazer amigos, interage quando é necessário interagir, responde quando é perguntado e faz pergunta quando acha necessário. Já os mais profundos costumam causar problemas – o aluno não consegue interagir com colegas, costuma passar muito tempo sozinho, quase não tem amigos, não faz perguntas, não responde quando é perguntado ou responde de forma inaudível ou sem olhar nos olhos.

A timidez mais grave muitas vezes está ligada a falta de autoconfiança e baixa autoestima da criança que, quando submetida a uma situação de desconforto – como falar em público, interagir com um grupo muito grande ou apresentar um trabalho para a turma -, pode apresentar ansiedade, tremores, suor frio nas mãos, etc. Quando o professor percebe essas reações num determinado aluno está na hora de desenvolver mecanismos de intervenção para ajudá-lo a criar autoconfiança e conseguir se relacionar com outras pessoas.

Como ajudar os alunos tímidos a superar seus problemas?

Um bom começo para ajudar seu aluno tímido a superar seus medos é colocá-lo próximo à mesa do professor, isso permite que ele fale com mais facilidade sem se preocupar se o restante dos colegas está ouvindo. Coloque dois alunos tímidos sentados próximos, pois isso facilita o início de uma interação e amizade. Crie uma relação de confiança com esses alunos, assim eles ganham segurança para desenvolver relações interpessoais. Fale reservadamente com o aluno tímido, para que ele possa praticar a conversação dentro de uma zona de conforto segura. Ensine sobre interação social: crianças tímidas se preocupam demais sobre o que as pessoas irão pensar sobre elas, por isso conversar com outras pessoas é sempre uma dificuldade. Fale sobre pequenos gestos que elas podem realizar para ter uma boa interação – como olhar nos olhos, sorrir, oferecer ajuda, agradecer e fazer elogios – e ensine-a que não é preciso ter medo de conversar com os colegas.

Quando as resoluções acima estiverem gerando resultados, ouse um pouco mais e comece a criar interações e atividades em grupo. Organize a sala de forma que os alunos possam olhar um para o outro, elabore atividades que abordem assuntos que seus alunos tímidos dominem – assim eles terão mais confiança e menos desconforto em participar da atividade –, estimule o companheirismo com tarefas que todos devem se ajudar, etc. É importante que o aluno tímido seja inserido aos poucos em atividades que exigem um pouco mais de interação e a saída da zona de conforto, tomando o cuidado para não “forçar a barra” e exigir demais da criança.

Outro fato que pode ocorrer na sala de aula é o grupo isolar o(s) aluno(s) tímido(s) por não compreenderem sua personalidade e o acharem convencido ou esquisito. Por isso, é fundamental que o professor busque desfazer as panelinhas e escolha as duplas previamente para realização de uma atividade, assim a criança tímida não passará pelo desconforto de ficar “sobrando” e sentindo-se isolada do resto do grupo.

Pessoas tímidas costumam ouvir mais e ter maior capacidade de introspecção, análise e autorreflexão, demorando a elaborar respostas. Dê tempo para que elas pensem antes de responder à pergunta, se pressionadas elas se sentirão inseguras e desistirão de participar. Estimule e parabenize tentativas de comunicação, mesmo que elas sejam falhas: se uma criança tímida tenta fazer uma pergunta em público, mas falou em voz baixa incentive-a a refazer a pergunta e reconheça o seu esforço.

A psicóloga e pesquisadora Lidia Weber, consultada pela Gazeta do Povo, afirma que embora a timidez seja uma característica biológica do ser-humano, ela não define destino. Lidia explica que a maneira como a criança vai lidar com a timidez depende muito dos estímulos que recebe dos familiares e da escola. Por isso, é imprescindível que escola e pais trabalhem juntos para ajudar as crianças tímidas a superarem sua timidez e se desenvolverem socialmente.

Nem todos precisam ser extrovertidos, há muitas pessoas introvertidas que são felizes e se dão bem nas suas relações interpessoais. Aliás, ambas as personalidades são necessárias em um ambiente escolar, pois causam equilíbrio. Já imaginou como seria uma sala de aula só com alunos extrovertidos ou só com alunos introvertidos?

A Sponte espera que este artigo contribua para que o professor consiga trabalhar os possíveis efeitos negativos da timidez para alcançar um ambiente escolar cada vez mais equilibrado. Conte sempre com a gente!

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