Por Cristopher Morais, 16 de setembro de 2021

Como posicionar sua escola em relação aos problemas sociais?

Saiba qual deve ser o papel da escola frente aos problemas sociais encontrados em nossa sociedade e na educação básica.

Problemas sociais na escola: o que fazer? | Sponte

Não é nehuma novidade que o Brasil enfrenta uma onda de problemas sociais, como a violência, a falta de segurança, a discriminação, a falta de representatividade e de inclusão, a desigualdade socioeconômica, entre muitos outros.

A lista é realmente longa. No entanto, é preciso reconhecer a existência dessas mazelas sociais para poder desenvolver discussões sobre como resolvê-las.

Diante dessa realidade, é muito importante que o ambiente educacional esteja atento a essas questões e que, por meio do debate coletivo, construa um posicionamento condizente com o momento e com a importância de criar escolas mais inclusivas.

Tendo isso em mente, preparamos algumas dicas de como uma instituição de ensino pode se posicionar frente aos problemas sociais, além de tratar desses temas dentro da sala de aula. Confira!

Qual deve ser a postura da escola diante dos problemas sociais?
Problemas sociais na escola: quais são as situações mais comuns?
A importância de uma educação básica inclusiva
Como trabalhar os problemas sociais em sala de aula?
Problemas sociais por especialistas: uma abordagem interessante

Qual deve ser a postura da escola diante dos problemas sociais?

Qual deve ser a postura da escola diante dos problemas sociais?


A escola está integrada à sociedade, o que faz com que muito do que acontece “lá fora” reflita no ambiente educacional.

Ou seja, se a comunidade tem a recorrência de um problema como racismo ou intolerância religiosa, essa situação, cedo ou tarde, aparecerá em sala de aula.

Saber o que fazer quando esse momento chegar é fundamental para acabar com um ciclo vicioso e ajudar, inclusive, a evitar esse tipo de situação fora das escolas. Afinal, se os alunos aprenderem que esses problemas devem ser combatidos, eles levarão esse aprendizado para o seu dia a dia.

Nesse sentido, as instituições de ensino conseguem ser as promotoras de verdadeiras mudanças sociais, o que impacta positivamente no bem-estar de diversos grupos marginalizados e excluídos e torna o ambiente escolar mais saudável.

Há uma frase do educador Paulo Freire que representa muito bem qual deve ser a postura da escola frente aos problemas sociais: “Educação não transforma o mundo, educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo!”.

Diante da perspectiva de Freire, então, é possível, pelo menos, minimizar as mazelas sociais por meio da educação.

No entanto, ignorar situações incômodas não é a postura adequada que se espera de uma escola, pois, por trás de toda instituição de ensino, há uma missão social e a premissa de educar pessoas, para que possam fazer a diferença como cidadãos.

Então, como se preparar para abraçar essa missão de maneira que faça a diferença na vida dos alunos? Como reconhecer os problemas sociais mais frequentes? Prossiga a leitura para descobrir.

Problemas sociais: quais são as situações mais comuns na sala de aula?

O primeiro passo para resolver um problema é identificá-lo. Reconhecer que algo não está ocorrendo da forma que deveria é essencial para a correção dessa atitude.

Pensando nisso, elencamos, a seguir, breves explicações sobre os problemas sociais mais comuns nas escolas brasileiras:

  • Racismo: esse é um problema enraizado no Brasil desde o Período Imperial e um dos principais catalisadores de muitas das nossas mazelas sociais atuais. O racismo é muito comum no dia a dia. Ele se manifesta por meio de discursos discriminatórios, além de atitudes de exclusão e de violência (verbal e/ou física).
  • Desigualdade social: outro problema encontrado nas escolas é a distribuição desigual de renda entre as famílias. Isso pode ser notado nos materiais dos alunos, que, por vezes, simboliza maior ou menor poder aquisitivo, ou mesmo nas posições e nas falas de alguns estudantes.
  • Intolerância religiosa: o Brasil é um país multicultural, no qual se praticam  várias religiões distintas. Ensinar o respeito às diversas matrizes religiosas do país é fundamental, bem como não invalidar a existência de suas práticas.
  • Violência doméstica: essa é uma questão ainda mais desafiadora para a gestão pedagógica, pois acontece fora do ambiente escolar. Por isso, a equipe toda deve estar atenta às mudanças no comportamento dos estudantes para notar sinais desse tipo de situação. Ao perceber casos de violência, é necessário buscar as autoridades responsáveis, como o Conselho Tutelar, e acolher os alunos da melhor forma possível — preferencialmente contando com profissionais capacitados para isso.
  • Abuso de substâncias ilegais: essa é outra situação preocupante que, infelizmente, é comum em muitas escolas.  Portanto, toda a equipe deve estar atenta a sinais como queda no desempenho escolar, desinteresse pelas aulas, entre outros. 

Além disso, é fundamental promover campanhas de orientação e esclarecimento com os estudantes e suas famílias. Contudo, lembre-se de não abordar o assunto de forma impositiva: isso pode afastar o aluno. Pelo contrário, abra conversas que mostrem a autonomia do estudante, permitindo que ele fale abertamente. Assim, a conscientização tende a ser mais eficiente.

  • Homofobia e preconceito de gênero: duas questões que são debatidas de maneira frequente e que ainda afetam muitos alunos e famílias brasileiras. Essas formas de preconceito são consequências de uma sociedade com raízes machistas, então, devem ser sempre apontadas e discutidas na escola.

Há diversos outros problemas que podem aparecer na sala de aula e merecem menção, como o capacitismo (discriminação contra pessoas com deficiência), falta de representatividade e, em algumas escolas, a xenofobia (intolerância a estrangeiros).

É válido pontuar que esses problemas sociais se manifestam, muitas vezes, por meio do bullying, sendo que as vítimas se veem motivadas a desistir dos estudos para evitar essa violência.

Sendo assim, trabalhar problemas sociais na escola é necessário até mesmo para diminuir a evasão na educação básica.

Esses problemas são frequentes nas escolas brasileiras e são assuntos sensíveis. Contudo, isso não deve ser um impedimento para a desconstrução de ideias problemáticas.

Muitos alunos reproduzem um comportamento que viram em pessoas próximas, então, eles podem não saber sobre determinado assunto ou apenas “entram na onda” e reproduzem posicionamentos que não compreendem direito.

Dessa maneira, a postura da escola deve ser, primeiramente, de ensinar buscando a conscientização para quebrar um ciclo que já perdurou tempo demais.

A importância de uma educação básica inclusiva

A importância de uma educação básica inclusiva

A inclusão está cada vez mais presente nos mais diversos setores da sociedade, devido aos recentes avanços feitos nesse quesito, especialmente na última década. Porém, ainda estamos longe do ideal e há muito a ser feito. 


Muitas empresas e instituições pararam de ignorar essas reivindicações e estão tentando se adaptar às necessidades dos mais diferentes públicos. 

Algumas atitudes podem ser adotadas para mostrar à comunidade escolar que a escola possui uma política institucional inclusiva:

  • Conte com um quadro de funcionários inclusivo: as instituições que mostram não discriminar os funcionários ganham um enorme diferencial em relação ao mercado. Além disso, o posicionamento torna o ambiente escolar muito mais inclusivo e representativo.
  • Dispor de uma infraestrutura mais acessível: a adoção de rampas, elevadores, assentos prioritários, vagas de estacionamento destinadas a pessoas idosas ou deficientes, são exemplos de atitudes que sua escola pode tomar para contar com um ambiente mais receptivo e preparado para receber diversos públicos.
  • Tenha profissionais prontos para atender todos os públicos: para alunos que precisam de uma atenção especial em relação ao seu processo de aprendizagem nas escolas, como é o caso de estudantes com autismo, por exemplo, é importante contar com funcionários capacitados que os auxiliem em seu desenvolvimento.

Com a adoção dessas e outras atitudes, sua escola de educação básica mostra que se importa com os problemas sociais, adotando medidas que produzem um ambiente muito mais inclusivo e plural.

A política de inclusão, além de ser um excelente diferencial em termos do mercado educacional, mostra que a gestão pedagógica se preocupa com seus alunos e demonstra respeito a todos eles, cada um com suas particularidades.

Como trabalhar os problemas sociais em sala de aula?

A maioria das disciplinas presentes no Ensino Fundamental e Médio dispõem de currículos que abordam questões sociais.

Usar do ensino para a construção de discussões e diálogos saudáveis a respeito dos problemas sociais é uma ótima forma para mostrar que sua escola se preocupa com a realidade em que se encontra a nossa sociedade.

Seminários, debates, jogos interativos e abordagens de temas controversos em obras literárias e cinematográficas são exemplos de como os educadores de sua escola podem trabalhar tais problemas em sala de aula.

Ensinar, abordar, discutir e enriquecer o processo de ensino-aprendizagem de seus estudantes fará a diferença para a construção de uma sociedade mais inclusiva e tolerante no futuro.

Os professores das áreas de humanidades, principalmente Filosofia, Sociologia, História, Geografia, Língua Portuguesa, Literatura e Redação precisam estar atentos a essas questões e aproveitarem a interdisciplinaridade para trabalhar esses assuntos de forma mais completa e contextualizada.

Problemas sociais por especialistas: uma abordagem interessante

Palestras são atividades interessantes e que ajudam a quebrar um pouco a dinâmica de ensino em sala de aula. Assim, elas chamam a atenção dos alunos para temas específicos.

Dessa forma, pela visão de especialistas, elas enriquecem o conhecimento dos alunos e apresentam questões e discussões muito necessárias.

Há inúmeras abordagens que a escola pode ter ao organizar tais seminários:

  • Convidar profissionais adequados para falar sobre segurança pública.
  • Chamar estudantes graduados para falar de acesso à universidade.
  • Contar com especialistas e pedagogos para falar de educação.
  • Convidar profissionais comunitários para falar sobre o crescimento das comunidades locais.
  • Pedir o auxílio de ambientalistas para apresentar conceitos de sustentabilidade e formas de preservação ambiental.
  • Chamar médicos ou enfermeiros para abordar questões sanitárias ou de saúde.
  • Convidar psicólogos para falar sobre saúde mental.

Enfim, são várias as possibilidades de palestras que podem abordar os temas sociais na escola.

O importante é lembrar que esse processo é contínuo e gradual, já que os problemas sociais são frequentes, e debates e discussões sobre o assunto não devem ser deixados de lado.

Construir espaços educativos inclusivos, que dialoguem e construam posicionamentos sobre essas questões, enriquecem não só sua escola diante da comunidade, como também posicionam a instituição de ensino perante o mercado educacional de sua região.

Com isso, é possível concluir que o diálogo e a comunicação devem estar presentes em todos os momentos para que problemas sociais sejam trabalhados nas escolas de maneira construtiva e continuada. E, para isso, é essencial ter uma gestão escolar mais eficiente e também mais humana.

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