Como ter uma gestão democrática dentro das escolas?

A implantação do modelo de gestão democrática dentro das escolas pode ser muito benéfica para toda a sua comunidade escolar. Descubra como fazer isso:

Por Cristopher Morais em 22 de dezembro de 2020.

Muitas escolas estão abandonando modelos tradicionais de ensino e gestão, tidos hoje como ineficientes ou ainda ultrapassados. Isso porque existem novas metodologias sendo aplicadas que consideram muito mais o contexto social da sociedade atual e o contexto dos alunos, que estão cada vez mais conectados.

A internet trouxe consigo uma liberdade de expressão muito grande. Nas redes sociais, todos têm um espaço para compartilhar suas ideias e expressar suas opiniões, sejam elas positivas ou negativas. 

Por estarem imersos nesse meio, os alunos não querem mais ser agentes passivos do seu processo de aprendizado. Afinal, eles têm na palma de suas mãos as ferramentas de pesquisa mais rápidas que já existiram. Bastam alguns segundos para terem acesso a algum post ou vídeo explicando exatamente o que eles querem saber.

Os alunos querem um conhecimento prático e aplicável no seu cotidiano. E por fim – mas não menos importante – querem ser ouvidos, uma vez que estão acostumados a poderem se expressar livremente no ambiente online. 

Portanto, as escolas vêm se atualizando cada vez mais sobre novas metodologias ativas de ensino e formas de fazer da tecnologia uma aliada. 

E para além das práticas em sala de aula, os modelos de gestão também entraram em discussão. Afinal, como trabalhar em uma gestão escolar antenada com as necessidades dos alunos e que converse com um modelo pedagógico cada vez mais inclusivo e flexível?

Continue a ler o post para saber mais sobre a gestão democrática: o modelo que está cada vez mais presente nas escolas.

O que é gestão democrática
Sua importância para escolas
Como aplicar na gestão pedagógica
Como adaptar seu Projeto Político Pedagógico

O que é gestão democrática?

Gestão financeira escolar: o que é e como fazer? | Sponte

Apesar de estar muito em voga atualmente, o termo e a ideia de gestão democrática já existem há um bom tempo e estão presentes na Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9.394/96). 

Em linhas gerais, podemos definir a gestão democrática como um modelo que prioriza a tomada de decisões na escola de forma coletiva, isto é, levando em consideração outros fatores e pessoas além do corpo diretor.

Portanto, esse tipo de gestão está focado no diálogo entre diretores, coordenadores, funcionários, professores, pais e inclusive os alunos. E este é o pilar principal para estabelecer uma gestão democrática: através de uma relação horizontal entre os membros da comunidade acadêmica.

O foco é colocar na equação as percepções e experiências de outros elementos da comunidade escolar. Assim, todos contribuirão com ideias, sugestões e apresentarão suas necessidades para que a escola consiga alinhar seu objetivo com os anseios principalmente de pais e alunos.

Qual a importância da gestão democrática para as escolas?

Parte-se do princípio que escola é um espaço essencialmente democrático, de diálogo e de formação cidadã. Portanto, logo de cara a gestão democrática se mostra como um modelo totalmente coerente com o espaço de ensino e aprendizado.

Ele está pautado principalmente na construção coletiva dos processos pedagógicos e da rotina da instituição, a partir do diálogo entre os diferentes grupos da comunidade escolar.

A escolha de um modelo de gestão coerente é essencial para que os centros de ensino cumpram seu papel, tanto social quanto no que se refere ao conhecimento. Afinal, a instituição assumiu um compromisso com as famílias que confiaram na sua instituição para a educação de suas crianças e adolescentes.

Mas, sobretudo quando se trata da educação básica, a escola possui um papel importante junto à família no processo de construção de valores que os jovens levarão para a vida toda. 

Portanto, um ensino em uma escola que tem sua metodologia pautada na democracia e que pratica a cidadania, terão uma sólida base de valores, formando cidadãos conscientes e preparados para viver na sociedade contemporânea.

Isso se deve ao fato da escola ser de certo modo uma “amostra” da nossa sociedade e muito provavelmente do círculo social ao qual o aluno pertence. É importe ressaltar que o recorte socioeconômico irá determinar boa parte dos objetivos que deverão constar no Projeto Político Pedagógico da escola, para sanar as necessidades da sua comunidade.

É seguro, portanto, afirmar que a escola é também um espaço de acolhimento e de respeito às diferenças. A gestão democrática trabalha constantemente os conceitos de responsabilidade social, respeito ao próximo, empatia, além de ser aberto a temas relevantes para a atualidade, como a educação socioemocional.

Diante de tudo o que foi exposto, fica claro como a escola possui um papel moral muito forte na sociedade e a gestão democrática é uma aliada valiosa para que este se cumpra. 

Outro ponto também muito trabalhado é o relacionamento escola-família. Pois, para que esse modelo de gestão se desempenhe de forma eficiente, é necessário estabelecer uma relação de parceria entre a coordenação escolar, pedagógica e os pais ou responsáveis pelos alunos. 

Sendo assim, a gestão democrática se mostra como um incentivo a mais para estreitar esses laços.

O resultado disso é a formação de alunos com mais autonomia, protagonistas do seu próprio processo de aprendizado.

Como aplicar a gestão pedagógica?

Rematrícula e COVID-19: Como pensar nessa estratégia? | Sponte

Implementar esse modelo de gestão requer atenção em algumas questões-chave. A primeira delas, sem dúvida alguma é a transparência. Este é um valor tão fundamental para a construção do projeto político pedagógico quanto para a implementação e manutenção da gestão escolar democrática.

A comunidade escolar precisa confiar na gestão e no que ela está fazendo para que esta seja de fato democrática. Portanto, para fortalecer os laços de confiança, não há sugestão melhor do que ser verdadeiro, honesto e transparente a respeito de todos os processos da escola. 

Para os alunos, ter uma relação tão aberta assim fará com que se sintam respeitados e participantes ativos da escola e não meros estudantes passivos. O mesmo vale para as famílias.

Outro grande passo em direção à gestão democrática é descentralizar as decisões. 

Estar a cargo de tomar as principais decisões da escola é uma tarefa de grande responsabilidade. Compartilhar esse dever com o restante da comunidade acadêmica, além de evitar que o gestor se sinta sobrecarregado, aumenta o sentimento de pertencimento de todos em relação à instituição. 

Essa motivação se traduz em um melhor desempenho de suas respectivas atividades e comprometimento com o modelo de gestão.

Mais um ponto-chave para se estruturar uma gestão democrática na escola é a elaboração de um projeto político pedagógico adequado e coerente com os objetivos e necessidades da escola e dos alunos. Esse projeto é o que dará o pontapé inicial no novo modelo de gestão e guiará os passos da comunidade rumo aos objetivos nele definidos.

Como adaptar o projeto político pedagógico para essa gestão?

Sendo ele o documento que guia as ações dos gestores e coordenadores pedagógicos da escola, o projeto político pedagógico é o primeiro ponto a ser discutido quando se decide implementar uma gestão democrática. 

E é justamente a partir da elaboração dele que essa política começa a ser trabalhada. O primeiro passo é se abrir para a participação das famílias nesse processo. 

A gestão democrática demanda diálogo com a comunidade. A partir daí será possível determinar objetivos claros e então as estratégias da escola para atingi-los com a ajuda de todos.

Além de ouvir funcionários, professores e pais, é importante também abrir um canal de diálogo com os alunos. Isso aumentará muito o índice de participação de todos no processo de gestão e tomada de decisões, tornando a escola um ambiente acolhedor e motivador para os estudantes. 

Vale a pena também incentivar as organizações de representação, como grêmios estudantis, para garantir que a voz dos alunos sejam ouvidas.

Durante a construção do Projeto Político Pedagógico, é essencial prever o trabalho com o conceito de igualdade. 

Por exemplo: alguns alunos podem apresentar mais dificuldade para acompanhar a turma do que outros. O que significa que ele precisará de uma assistência especial por parte dos professores e da escola, ajuda essa que é desnecessária para outros alunos.

Leia também: Como tornar sua escola mais inclusiva para os alunos?

Por fim, o Projeto Político Pedagógico precisa contar com um método de avaliação justo para mensurar a evolução dos alunos. Recomenda-se prever avaliações constantes e participativas, onde o professor olhe não só a nota final do aluno, mas também como foi sua caminhada no processo de aprendizado até chegar àquele resultado. 

Dessa forma o professor terá uma noção bem mais clara das forças e deficiências no processo de cada aluno e poderá agir de forma assertiva para ajudá-los.

Interessante também é implementar o método de autoavaliação. Assim o aluno poderá expressar como acha que foi seu desempenho e dar sua perspectiva do processo pedagógico, informações que também são muito úteis para o professor e a coordenação pedagógica.

Para saber mais sobre este processo e melhorá-lo em sua escola, confira o eBook: 

Cristopher Morais / Gerente de Produto

Atualmente é Gerente de Produto, com mais de 10 anos em experiência soluções inteligentes na área da educação, faz parte do time da Sponte há 13 anos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *