O ambiente escolar pode ser caótico e estressante, mas com mindfulness e inteligência emocional você cria uma vivência mais tranquila e prepara seus alunos para os desafios do mundo.
Quantas vezes você já se estressou na escola esta semana? Já ficou com vontade de gritar, ou de sumir, e teve que respirar fundo para continuar trabalhando normalmente? Isso é inteligência emocional, e ela precisa ser praticada diariamente, junto com práticas de mindfulness, para criar um ambiente escolar tranquilo para todos.
Afinal, todos nós sabemos o quanto uma escola pode ser estressante. São muitas pessoas reunidas em um lugar só — e a maioria é de crianças e adolescentes, o que tende a aumentar o clima caótico.
É claro que você já se acostumou com isso, não é? Mas às vezes o estresse pode acumular e afetar você, os professores, a equipe administrativa e até os alunos.
Nesse contexto, é tarefa do líder escolar ajudar a criar um ambiente agradável para todos. E isso inclui, é claro, trabalhar a inteligência emocional na escola e buscar práticas de mindfulness.
Mas, enfim, você conhece esses termos? Sabe exatamente o que eles significam em um contexto escolar?
Continue a leitura e entenda:
Começamos pela inteligência emocional, que é um termo mais popular. Mas aqui vamos para uma das raízes do conceito: o psicólogo norte-americano Daniel Goleman.
Goleman apresentou essa ideia no seu livro intitulado Inteligência emocional. Na obra, ele trata essa habilidade como competência de um indivíduo de identificar seus próprios sentimentos e emoções.
À primeira vista, isso pode parecer banal. Contudo, na prática, reconhecer o que você está sentindo, de verdade, pode ser extremamente complexo. Imagine por quantos sentimentos uma pessoa pode passar em um só dia — muitas vezes misturados.
No caso de professores e gestores escolares, há muita alegria e realização no trabalho educacional. Mas também há cansaço, estresse, frustração, medo, entre tantos outros.
Por isso, a inteligência emocional é um conceito que deve ser considerado muito na gestão de professores.
No caso dos alunos, no entanto, o processo é ainda mais complexo. Eles estão passando por um período de formação, e há muitas tensões sociais envolvidas neste momento de crescimento. Eles passam por ansiedade, depressão, solidão, baixa autoestima, etc.
A inteligência emocional é o que permitirá que cada pessoa reconheça seus sentimentos e saiba lidar com eles da melhor forma possível. Além de trabalhar a saúde mental, essa habilidade é essencial para o cultivo de bons relacionamentos no âmbito pessoal e profissional.
Assim, dentro da sua instituição de ensino, saber controlar a inteligência emocional é fundamental para garantir um bom relacionamento com alunos e seus pais e responsáveis.
Segundo Goleman, são cinco pilares que sustentam a inteligência emocional:
Para começar a desenvolver inteligência emocional, o primeiro passo é observar e analisar o próprio comportamento e os sentimentos, tanto no momento em que eles surgem quanto depois, refletindo sobre o que desencadeou essa reação.
Conhecer as próprias emoções inclui saber como elas surgiram e como impactam o seu cotidiano e os relacionamentos com as pessoas ao seu redor.
O segundo passo é controlar os impulsos que vêm com cada situação e o surgimento de cada sentimento a partir disso.
As melhores recomendações para trabalhar essa prática são atividades físicas em geral e, em casos em que o indivíduo encontra mais dificuldades, a terapia comportamental. A ideia não é reprimir os sentimentos, mas sim aprender a lidar com eles, encontrando um equilíbrio.
Isso é essencial para gestores escolares e professores da educação básica que lidam diariamente com um grande número de crianças e adolescentes — mas também para as crianças e os adolescentes, que ainda estão desenvolvendo suas relações interpessoais.
Para desenvolver a automotivação é preciso compreender que a vida apresenta desafios de tempos em tempos e que nem sempre a motivação para superá-los aparecerá de outra pessoa ou de um fator externo.
Por isso, ter em mente quais são seus objetivos e manter o foco são as principais ferramentas para permanecer motivado quando algum obstáculo aparecer, sabendo lidar com as frustrações e pressões que vêm com ele.
Esse é um desafio fundamental para crianças e adolescentes, que muitas vezes crescem em um ambiente em que tudo é entregue “de mão beijada”. Eles precisam aprender a se automotivar e a lidar positivamente com os obstáculos da vida.
O conceito de empatia é a habilidade de se colocar no lugar do outro ao se relacionar com ele. Entre os membros de uma equipe escolar isso é fundamental, e o mesmo vale para uma sala de aula.
Além disso, ser empático é essencial para a comunicação com alunos e responsáveis, para evitar crises e criar um ambiente acolhedor para todos.
Goleman acredita que o autoconhecimento é um dos principais caminhos para se desenvolver a empatia, pois o entendimento sobre si mesmo auxilia na identificação e compreensão de expressões e sentimentos semelhantes no outro.
A união de todas essas práticas culmina numa melhoria das relações interpessoais, pois, aplicando o conceito de empatia e controlando os próprios sentimentos e comportamentos, é possível responder melhor aos estímulos externos vindos dos colegas ou de situações que fogem do nosso controle.
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O conceito de mindfulness é usado para descrever um conjunto de técnicas para que um indivíduo consiga focar no presente, sem deixar que situações passadas e encargos futuros tomem conta do pensamento, tirando o foco ou até dando início a uma crise de ansiedade.
Para professores, coordenadores pedagógicos, gestores escolares e demais funcionários de uma instituição de ensino, o mindfulness pode ser uma ferramenta poderosa para elevar o foco e a concentração, diminuindo os níveis de estresse ocasionados pelo dia a dia escolar.
Essa técnica ajuda, inclusive, a lidar com alunos durante a aula, ou mesmo em situações de mau comportamento.
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Os alunos também se beneficiam da prática, que controla os sentimentos conflitantes da infância e da adolescência, regula as emoções, reduz as distrações e ajuda até a afastar o vício em telas.
Sem falar que o mindfulness é ótimo para estimular o pensamento crítico e criativo e ajudar no desenvolvimento de competências socioemocionais.
Há várias técnicas disponíveis para o exercício de mindfulness, mas para aplicar no ambiente escolar, podemos começar com as mais conhecidas:
Usar o ritmo da respiração a seu favor é fundamental para acalmar a mente e focar no agora. A melhor parte é que a partir do momento em que esse controle é treinado, ele se torna uma ação automática nas situações de estresse.
Essa técnica consiste na respiração em quatro tempos, muito utilizada nas práticas de meditação e yoga. Nela, a inspiração deve durar quatro segundos, seguidos por mais quatro segundos com o ar preso dentro dos pulmões.
A seguir, o ato de expirar também deve durar quatro segundos. Depois, o indivíduo deve aguardar o mesmo tempo sem ar nos pulmões antes de começar a próxima inspiração. Isso deve ser feito até a sensação de calma voltar.
Ela não poderia ficar de fora dessa lista. A meditação é pautada especialmente no mindfulness como forma de autoconhecimento, melhoria da concentração e atenção ao presente.
A melhor parte é que o ato de meditar é bem flexível, podendo ser realizado pela manhã, antes de dormir, ou durante qualquer situação que esteja gerando ansiedade.
Além disso, o tempo pode variar. Para os iniciantes, muitas vezes, cinco minutos é um bom tempo para começar. À medida que vai se adquirindo prática, a duração da meditação vai crescendo gradativamente conforme a necessidade de cada um.
Atualmente, existem diversos aplicativos pagos e gratuitos de meditação guiada, o que é muito interessante para um primeiro contato com essa técnica.
As principais culpadas pela perda de foco e o início de um fluxo de pensamento caótico são as distrações. Uma notificação que chegou no celular, um telefonema, ou ainda prioridades que foram deixadas para depois.
Tudo isso acaba gerando distrações que podem te tirar do presente, favorecendo a procrastinação e a preocupação com coisas que não deveriam ser o foco naquele momento.
É importante se observar e perceber quais são os fatores que te distraem para, então, evitá-los. Por exemplo: ler os e-mails somente em horários específicos, colocar o celular no silencioso durante o trabalho, buscar um local que seja silencioso para organizar o planejamento escola, etc. Com isso, focar no agora será bem mais fácil.
Se distrair é normal do ser humano. Nosso cérebro está em constante funcionamento e é impossível simplesmente parar de pensar. O mindfulness busca formas de controlar a atenção, trazendo-a para o presente e direcionando os pensamentos para o fato de que o aqui e o agora são mais importantes.
Agora que já entendemos o que é inteligência emocional e mindfulness, e mostramos formas de como trabalhar isso individualmente, vamos falar sobre como levar essas técnicas para o ambiente escolar.
Antes de cobrar essas técnicas, é preciso que a equipe entenda o que elas significam, quais são seus impactos e como pode praticá-las. Afinal, estamos falando de conceitos que são desconhecidos por muita gente.
Começar a abordar esse assunto com os colaboradores a partir dos meios de comunicação internos, falando de seus benefícios e compartilhando artigos, vídeos e demais conteúdos acerca dessa temática, pode ser uma forma de iniciar a educação da equipe nesse tema.
Isso ainda dá a oportunidade para que todos possam opinar sobre o assunto, iniciando um diálogo valioso para a escola.
🔎 Leia mais: Você sabe o que é gestão escolar participativa?
Uma boa ideia para reforçar a adesão é chamar um especialista na área para conversar com a equipe e com os alunos.
Além de aprofundar as informações e tirar eventuais dúvidas, o especialista pode realizar uma atividade dirigida simples para ensinar técnicas básicas para: identificar e controlar os sentimentos, manter o controle da respiração e aumentar o foco no presente.
O melhor de levar todos esses conhecimentos para dentro da escola é que a jornada pela maturidade emocional passa a ser coletiva.
Portanto, incentive uma postura acolhedora por parte de todos, para que os profissionais e os alunos se sintam apoiados e compreendidos sempre que um problema aparecer. Qualquer obstáculo é melhor superado quando colaboradores, escola e estudantes se unem.
Desenvolver competências socioemocionais é fundamental para que a inteligência emocional e o mindfulness possam ser praticados de uma maneira satisfatória.
Por isso, busque levar atividades desse tipo para dentro da sala de aula e também para a rotina da sua gestão pedagógica. Lembrando sempre que o socioemocional na escola também deve abranger professores e demais profissionais.
🔎 Leia mais: Educação socioemocional: o que é e qual a sua importância para o contexto escolar?
As técnicas que trabalham a Inteligência Emocional e o mindfulness são muito válidas para serem aplicadas no dia a dia e ajudam no alívio de sensações como ansiedade e estresse.
Mas é muito importante salientar que ansiedade patológica e depressão (questões enfrentadas por muitos professores e gestores escolares) devem ser diagnosticadas e tratadas com profissionais especializados, como psicólogos, psicoterapeutas e psiquiatras.
Além disso, é fundamental avaliar essas questões entre os seus alunos, que também podem ser seriamente afetados.
Para tanto, sua gestão escolar deve buscar uma comunicação clara e direta com eles. Também é essencial desenvolver práticas para cuidar da saúde mental no dia a dia educacional, como incentivar a inclusão e a diversidade, combater o bullying, organizar grupos de apoio e acolhimento, etc.
🔎 Leia mais: Saúde mental na escola: como identificar problemas e cuidar de seus alunos.
Em meio a tudo isso, o sistema Sponte também pode ajudar a cuidar da saúde mental e da inteligência emocional de sua comunidade escolar.
Para começar, temos ferramentas de retenção de alunos que são feitas para monitorar o trabalho dos alunos e avaliar o potencial de evasão escolar. Mas esses índices também podem apontar problemas de saúde mental, que sua gestão pedagógica deve ficar de olho.
Além disso, ao otimizar os processos com funcionalidades modernas e inteligentes, o Sponte reduz a sobrecarga de professores e da equipe pedagógica, diminuindo o estresse e permitindo que cuidem melhor da saúde mental de si próprios e de seus alunos.
Saiba mais no site da Sponte: