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Feedback na escola: o que é, quais os tipos e como fazer

5 min de leitura

Saiba como transformar devolutivas em uma ferramenta de diálogo, orientação e desenvolvimento no processo de ensino-aprendizagem.

Saiba como transformar devolutivas em uma ferramenta de diálogo, orientação e desenvolvimento no processo de ensino-aprendizagem. 



Transmitir um bom feedback na escola é fundamental para fortalecer a comunicação escolar e contribuir para o desenvolvimento dos estudantes. Para muitos alunos, porém, esse momento pode causar desconforto, principalmente quando envolve avaliações ou julgamentos sobre seu desempenho. 

Esse desconforto pode ser consequência de um feedback mal transmitido, no qual não houve cuidado na escolha das palavras nem preocupação em apresentar, de forma equilibrada, os pontos fortes e os aspectos que o estudante precisa desenvolver.

Sendo assim, um momento que deveria ser de troca de experiências e orientações pode se tornar algo traumático, gerando desconforto tanto para quem recebe quanto para quem transmite a avaliação, que pode ser o professor, coordenador pedagógico, diretor ou outro integrante da equipe escolar.

Isto é: feedbacks mal planejados e executados dificilmente terão resultados positivos na gestão escolar. Pelo contrário, eles podem impactar negativamente os alunos, prejudicar a autoestima e até afetar o comportamento no cotidiano escolar.

O que é feedback na escola?

Antes de entender como aplicar essa prática no dia a dia, é importante compreender o que significa, na prática, dar feedback na escola.

De forma simples, o feedback escolar é uma devolutiva construtiva sobre o desempenho, o comportamento ou a postura de um estudante. Para além de apontar erros ou acertos, o objetivo é orientar o desenvolvimento e apoiar o processo de aprendizagem.

“O feedback escolar é uma devolutiva construtiva sobre o desempenho, o comportamento ou a postura de um estudante.”

Quando bem conduzido, o feedback para alunos se torna uma ferramenta importante dentro da comunicação escolar, pois promove diálogo, alinhamento de expectativas e oportunidades de melhoria no processo de ensino-aprendizagem.

Além de contribuir para o desenvolvimento dos estudantes, o feedback também é essencial para o desenvolvimento dos professores. Quando eles recebem devolutivas construtivas de coordenadores, gestores ou até dos próprios alunos, têm a oportunidade de refletir sobre suas práticas, identificar pontos de melhoria e aprimorar suas estratégias de ensino.

🔎Leia mais: ​​Metodologias ativas de aprendizagem: saiba o que são e como incluí-las em sua escola

Como funciona o feedback na escola e por que ele é importante

Para aprimorar esse processo, é preciso entender melhor como o feedback na escola deve funcionar. Antes de mais nada, é importante lembrar que feedback não é uma bronca nem uma oportunidade de dar uma lição de moral ao estudante.

O ideal é que ele aconteça em tom de conversa, com o objetivo de melhorar o desempenho, o comportamento ou a postura de alguém. Assim, deve servir como uma ferramenta de aprimoramento do processo de ensino-aprendizagem.

Quando feito de forma agradável, como um diálogo aberto e construtivo, o feedback escolar pode realmente contribuir para que o aluno evolua. E isso vale tanto para crianças na Educação Infantil quanto para adolescentes no Ensino Médio: um bate-papo franco é um excelente caminho para ajudá-los a se desenvolver.

Tendo em vista que, no cotidiano escolar, avaliações, reuniões e feedbacks para alunos acontecem com frequência, preparamos algumas dicas para tornar essa troca mais produtiva e enriquecedora para educadores e estudantes.

Continue a leitura e veja, em alguns passos, como transmitir um feedback de qualidade de forma simples e prática e como essa estratégia também pode contribuir para o desenvolvimento da equipe e da gestão escolar.

Quais são os tipos de feedback escolar?

O feedback pode assumir diferentes formatos, dependendo do objetivo da conversa, do momento pedagógico e das necessidades do estudante. Na prática, o feedback escolar funciona como uma ferramenta importante da gestão educacional, ajudando professores e gestores a orientar o desenvolvimento dos alunos de forma mais clara e construtiva.

Entender esses diferentes formatos também contribui para fortalecer a comunicação escolar, tornando o processo de orientação mais estruturado e eficiente. Assim, a escola consegue oferecer feedback para alunos de maneira mais adequada a cada situação.

Entre os principais tipos de feedback na escola, destacam-se:

  • Feedback positivo: reconhece avanços, conquistas e atitudes adequadas, reforçando comportamentos que contribuem para o aprendizado.
  • Feedback corretivo: aponta erros ou dificuldades e orienta o aluno sobre como melhorar ou evitar o mesmo equívoco no futuro.
  • Feedback formativo: acontece ao longo do processo de aprendizagem, ajudando o estudante a ajustar seu desempenho antes de avaliações ou resultados finais.

🔎Leia mais: ​​Tudo sobre avaliação escolar: melhores práticas no processo avaliativo, objetivos e análise de resultados

Como construir um feedback de qualidade?

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Você sabia que a oratória já foi um esporte olímpico? Nos primórdios da competição, saber se expressar em público e usar as palavras adequadas no momento certo era uma atividade digna de medalha de ouro.

Apesar de a modalidade não existir há muito tempo, a história nos deixa um aprendizado. Tal como qualquer esporte, ter o domínio das palavras que você usa requer planejamento, treinamento e objetivos claros.

Desse modo, ao transmitir um feedback para alunos, ou mesmo para outros membros da equipe escolar, planejar o seu discurso de antemão e ter um roteiro do que falar é uma excelente forma de aumentar a efetividade do processo.

Isso porque a organização ajudará com que a mensagem seja formulada cuidadosamente e chegue com mais clareza ao destinatário, ou seja, você será melhor compreendido pelo aluno ou até mesmo pela equipe.

Mas como organizar o discurso de forma efetiva? Claro que isso vai depender do seu objetivo e das características do aluno que vai receber o feedback, porém, você pode pensar nos seguintes critérios:

Quebre o gelo

Mesmo que essa não seja a proposta de um feedback escolar, o aluno se sente como se estivesse sendo julgado. Então, tenha um primeiro momento na conversa para deixá-lo mais à vontade, quebrando o gelo falando sobre algum assunto mais leve.

Apresente seu planejamento ao aluno

Depois desse momento de conversa, revele ao aluno o que tem em mente com esse feedback para ele estar ciente do que vai acontecer. Esclareça para ele os objetivos da conversa e passe rapidamente pelos assuntos que você pretende tratar. Isso evita que ele se sinta acuado no processo.

Sinceridade é essencial

Não esconda nada do estudante, seja o mais transparente possível para discutir tanto os pontos positivos quanto os negativos.

Use linguagem clara e simples

Sua mensagem precisa ser completamente entendida, então não use palavras vagas ou que fogem da realidade do estudante.

Iniciar com os pontos positivos é mais efetivo

Como o feedback na escola não é um momento apenas de apontar as falhas, o aluno deve saber o que está fazendo de positivo e os seus avanços. Assim, ele terá uma noção mais clara de seu crescimento.

Mostre os pontos a serem melhorados

Tenha em mente que o aluno não conseguirá evoluir se não souber o que está fazendo de errado. É papel não só do professor, mas também do coordenador pedagógico mostrar esses aspectos sempre de uma forma construtiva, e não apenas com críticas.

Sugira um plano de ação

Para o feedback escolar ser completo, é preciso não apenas mostrar os erros, mas também apontar caminhos para ajudar o aluno a crescer. Sugira um plano de ação ao aluno e pergunte se ele concorda ou se faria algo diferente. É um processo colaborativo, que deve ter objetivos específicos e um prazo estipulado para uma nova avaliação.

Um feedback que segue esses critérios é efetivo ao aluno e facilita muito o trabalho do educador. Contudo, lembre-se de que esse processo deve ser personalizado, de aluno para aluno ou de turma para turma.

A falta de preparo de gestores em avaliar pode gerar situações embaraçosas e consequentemente ineficientes.

Por fim, qualquer feedback precisa ser transmitido por meio da técnica de rapport, isto é, mostrar empatia e respeito em todos os momentos do discurso.

Em caso de o aluno apresentar algum problema, como no aprendizado ou no comportamento, procure entender o motivo antes de qualquer conclusão.

Dessa forma, o processo será ressignificado pelos alunos, eliminando qualquer trauma ou desprezo que eles possam ter com uma avaliação dessa natureza.

Quais as vantagens de passar um feedback bem feito?

O feedback não é uma atividade de fim de bimestre, semestre ou ano. Essa troca de perspectivas precisa ser algo frequente.

Isso é importante para que os alunos estejam sempre alinhados com os propósitos de seus próprios desenvolvimentos intelectual e acadêmico. Além disso, a prática apresenta vários benefícios.

Entre eles, é relevante apontar:

  • Melhoria no relacionamento entre a equipe pedagógica e o aluno, baseando-se no respeito mútuo
  • Promoção do bem-estar e do acolhimento ao estudante no ambiente escolar
  • Resolução mais rápida e efetiva das dificuldades de aprendizado
  • Melhoria do comportamento do aluno durante as aulas e em todo o ambiente escolar
  • Implementação de um modelo de ensino que preza pelo constante aprimoramento pessoal e acadêmico
  • Desenvolvimento das habilidades socioemocionais dos alunos.
  • Integração do estudante no processo de ensino-aprendizagem, uma vez que isso o coloca em uma posição ativa.

🔎Leia mais: Saiba como gestores e diretores podem acolher alunos neurodivergentes e promover inclusão com apoio da educação socioemocional

Por isso, crie uma rotina de encontros individuais ou com turmas específicas, voltados especificamente para esse momento de feedback.

Ainda, para aproveitar melhor o processo, faça um acompanhamento do aluno e verifique se o plano de ação elaborado durante e após o feedback está sendo aplicado e gerando resultados.

Dicas para transmitir feedbacks construtivos

O feedback na escola é uma poderosa ferramenta para fazer com que o aluno esteja em constante evolução, além de aprimorar sua relação com professores e equipe pedagógica.

Porém, se esse momento não for devidamente planejado e estruturado, o efeito pode ser o oposto do esperado e causar prejuízos ao estudante.

Portanto, em um feedback, evite:

  • Conversas genéricas, ou seja, tratar problemas que não se aplicam diretamente ao aluno
  • Traçar expectativas altas ou baixas demais para o estudante
  • Fazer um discurso pautado em reclamações e críticas pessoais
  • Ser muito breve ou demorado demais na conversa
  • Ter um discurso ambíguo e de difícil compreensão
  • Fazer conversas em público abordando dificuldades dos alunos. Dê preferência, trate os assuntos mais delicados em conversas particulares com o estudante

Dessa forma, os riscos de alguém sair magoado ou desmotivado são bem menores. Para melhorar ainda mais, confira as sete características que, segundo o educador norte-americano Grant Wiggins, são necessárias em todo feedback:

  1. Apresentar objetivos específicos
  2. Ter clareza
  3. Ser prático
  4. Mostrar empatia
  5. Escolher o momento adequado
  6. Oferecer conectividade
  7. Ter consistência nas cobranças

Além disso, quando o assunto é tom de voz, lembre-se de que a intenção da conversa é aprimorar, não intimidar o estudante. Por fim, tenha em mente que equilíbrio é a palavra de ordem no momento de feedback.

🔎Leia mais: Quais são as principais abordagens pedagógicas e como escolher a melhor para sua escola?

Desenvolva uma cultura de feedbacks na escola

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Já ficou claro que o feedback escolar é uma ferramenta muito mais ampla do que um momento de avaliação ou análise de desempenho, não é? Afinal, ele pode ser usado como uma forma de aproximar os alunos com o ambiente e a equipe escolar.

Dessa maneira, explore esse recurso ao máximo e incentive a cultura de troca de feedback em todas as esferas do ambiente escolar, não apenas na sala de aula.

Aproveite essas dicas para dar feedbacks a professores, responsáveis pela secretaria escolar, profissionais da gestão educacional e toda a equipe da instituição.

O mais importante de uma cultura escolar que valoriza o feedback é que o gestor e o diretor não são os únicos a falar. Ao abrir conversas francas e amigáveis dessa forma, todos podem participar, criando uma gestão escolar mais democrática.

Portanto, ao conversar com estudantes e colaboradores, pergunte: “Qual é sua opinião sobre isso?”; “Como você faria isso?”; “Vocês têm perguntas sobre o que foi exposto?”; “Há algo que eu possa fazer para ajudar?”.

Estar aberto ao diálogo e incentivar a troca de sugestões são passos essenciais para fortalecer uma cultura de feedback na escola.

Com o Sponte, sua instituição pode organizar a comunicação escolar, registrar interações e acompanhar o dia a dia com mais clareza e eficiência na gestão escolar.

 

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Mestra em Letras: Linguagem, Cultura e Sociedade, com ênfase em Literatura, Sociedade e Interartes pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Especialista em Comunicação e Marketing, Liderança e Gestão de Pessoas e em Recursos Humanos. Licenciada em Letras - Português e Inglês e em Pedagogia. Possui experiência na área de educação nos seguintes níveis: Ensino Fundamental II, Ensino Médio, Ensino Técnico e Ensino Superior. Também já atuou no mercado editorial e como autora de materiais didáticos da área de linguagens. Atualmente, é líder do setor de marketing da Sponte, vertical de Educação da Linx, empresa do grupo Stone Co.

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