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Adolescência na escola: 10 desafios atuais e como lidar com eles

4 min de leitura

Problemas de saúde mental, redes sociais, cyberbullying e inteligência artificial fazem parte da realidade dos adolescentes hoje; entenda como a escola pode apoiá-los.

Problemas de saúde mental, redes sociais, cyberbullying e inteligência artificial fazem parte da realidade dos adolescentes hoje; entenda como a escola pode apoiá-los.

A adolescência na escola envolve desafios que podem afetar a aprendizagem, a convivência e o bem-estar dos estudantes. Além de questões emocionais, sociais e familiares comuns a essa fase, a relação com redes sociais, cyberbullying e inteligência artificial também passou a fazer parte da rotina dos jovens.

Nesse cenário, a gestão escolar tem um papel importante na identificação de dificuldades e na criação de estratégias de prevenção e acolhimento. Compreender a relação entre escola e adolescência também ajuda a reconhecer questões relacionadas à saúde mental e outros fatores que podem interferir na experiência escolar.

Neste artigo, reunimos 10 desafios presentes na rotina dos adolescentes e mostramos como a escola pode contribuir para enfrentá-los

Quais são os principais desafios da adolescência na escola?

Para ajudar seus alunos adolescentes a terem uma vida saudável no ambiente educativo, sua gestão escolar precisa conhecer os principais desafios dessa fase. Confira:

1. Problemas de sono e cansaço

Estudar exige concentração, memória e disposição. Por isso, uma rotina de sono desequilibrada pode interferir diretamente no desempenho dos adolescentes, além de impactar diretamente seu bem-estar.

A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda entre 8 e 10 horas diárias de sono para adolescentes de 13 a 18 anos e destaca que a privação de sono pode prejudicar o funcionamento e o bem-estar nessa faixa etária.

Quando o estudante apresenta cansaço constante, dificuldade para se concentrar ou chega a dormir durante as aulas, vale conversar com ele e com a família para compreender a rotina e identificar possíveis causas.

2. Bullying, cyberbullying e discriminação

O bullying continua sendo um problema de convivência no ambiente escolar, mas as agressões não ficam mais restritas aos espaços físicos da instituição.

Hoje, os adolescentes convivem com o cyberbullying, que pode ocorrer em redes sociais, aplicativos de mensagens, jogos e outras plataformas digitais, fazendo com que conflitos iniciados na escola continuem fora dela e alcancem um público ainda maior.

A equipe deve manter canais seguros de denúncia e acolhimento, orientar os estudantes sobre convivência digital e agir diante das situações identificadas. Também é importante trabalhar continuamente o respeito às diferenças e a valorização da diversidade.

O Guia sobre Uso de Dispositivos Digitais, do Governo Federal, recomenda que as escolas orientem crianças e adolescentes sobre a ilegalidade do cyberbullying e os danos causados às vítimas.

🔎 Leia mais: O que é bullying na escola e como combater essa prática?

3. Redes sociais, comparação e exclusão social na escola

As redes sociais ocupam uma parte importante da vida dos adolescentes e podem favorecer comunicação, expressão e pertencimento. Ao mesmo tempo, seu uso excessivo pode ampliar comparações, conflitos, exposição e a sensação de exclusão.

Nesse contexto, a exclusão social na escola também pode acontecer ou ser intensificada no ambiente digital. Situações como deixar um colega de fora de grupos, compartilhar conteúdos sem autorização ou utilizar as redes para constranger outras pessoas podem afetar relações que continuam presencialmente na escola.

Outro risco no ambiente das redes sociais é a adultização precoce dos alunos, expostos muito cedo a experiências adultas.

Além de estabelecer regras, a instituição pode investir em educação digital e midiática para ajudar os estudantes a desenvolver uma relação mais crítica e responsável com esses espaços.

4. Uso excessivo de celulares e outras telas

Passar tempo demais em telas compromete a saúde mental dos alunos, prejudica a concentração nas aulas, impacta negativamente o sono e a visão e pode até causar problemas à maturação do cérebro. E essa é uma realidade muito presente nesta era da informação.

A lei n.º 15.100, de 13 de janeiro de 2025 ajuda a lidar com o abuso de telas ao restringir o uso de aparelhos eletrônicos pessoais por estudantes durante aulas, recreios e intervalos em todas as etapas da Educação Básica.

Mas não basta depender da Lei. A gestão escolar também deve orientar seus alunos para um uso mais saudável dos aparelhos também fora da instituição de ensino.

🔎 Leia mais: Uso do celular em sala de aula: o que fazer?

5. Inteligência artificial e acesso à informação

A inteligência artificial já faz parte da rotina de muitos estudantes. Essa tecnologia pode apoiar pesquisas, ajudar a compreender conteúdos e ampliar possibilidades de aprendizagem, mas também cria novos desafios para as escolas.

Entre eles estão o uso da IA para realizar atividades sem reflexão, a dependência das ferramentas, o plágio, a exposição de dados pessoais e a possibilidade de receber informações incorretas ou enviesadas.

Nesse cenário, a escola deve estabelecer critérios claros para o uso da tecnologia. Os alunos precisam aprender a verificar informações, comparar fontes, indicar quando utilizaram IA e compreender que essas ferramentas devem apoiar — e não substituir — o raciocínio e a aprendizagem.

🔎 Leia mais: Como usar a inteligência artificial na educação de maneira responsável.

6. Problemas familiares e mudanças de comportamento

Problemas familiares podem refletir no comportamento, na socialização e no desempenho dos adolescentes. Uma queda repentina nas notas, mudanças de comportamento ou isolamento, por exemplo, podem indicar que algo precisa de atenção.

Nessas situações, a escola deve manter o foco no estudante. Coordenação, família e equipe pedagógica podem trabalhar juntas para compreender o que está acontecendo e avaliar quais formas de apoio são necessárias.

Caso existam indícios de violência ou outras violações de direitos, a instituição deve seguir seus protocolos de proteção e acionar a rede responsável.

7. Ansiedade, excesso de atividades e cobrança

Aulas regulares, atividades extracurriculares, provas, Enem, vestibular e decisões sobre o futuro podem tornar a rotina dos adolescentes bastante exigente. Quando não há equilíbrio entre estudo, compromissos e descanso, essa pressão pode contribuir para o estresse e para o sofrimento emocional.

A ansiedade merece atenção especial. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em um estudo de 2025, os transtornos de ansiedade estão entre os transtornos emocionais mais comuns na adolescência. A estimativa é que atinjam 4,1% dos jovens de 10 a 14 anos e 5,3% daqueles entre 15 e 19 anos. A organização também destaca que ansiedade e depressão podem afetar a frequência e o desempenho escolar.

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Isso não significa que toda preocupação com provas ou com o futuro represente um transtorno. Por isso, a escola deve observar mudanças persistentes de comportamento e rendimento, oferecer espaços de escuta e orientar a família quando houver necessidade de acompanhamento especializado.

🔎 Leia mais: Saúde mental na escola: como identificar problemas e cuidar de seus alunos.

8. Construção da identidade e necessidade de pertencimento

Durante a adolescência, é comum experimentar novos interesses, estilos e grupos enquanto se constrói a própria identidade.

O desejo de pertencimento faz parte desse processo. Entretanto, a pressão para se encaixar pode levar alguns estudantes a esconder características pessoais, mudar comportamentos ou se afastar quando sentem que não são aceitos.

A escola pode contribuir ao construir um ambiente de respeito, promover espaços de escuta e estimular habilidades como empatia, autoconhecimento e comunicação.

🔎 Leia mais: Educação socioemocional: o que é e qual a sua importância para o contexto escolar?

9. Sexualidade e relacionamentos

A adolescência também envolve descobertas relacionadas ao corpo, à afetividade, à sexualidade e aos relacionamentos.

Dúvidas e inseguranças podem fazer parte desse período. Além disso, preconceito, exposição indevida, pressão de colegas e situações de bullying podem afetar o bem-estar dos estudantes.

A escola deve abordar o assunto de forma adequada à faixa etária e oferecer informações confiáveis sobre saúde, respeito, consentimento e proteção. O objetivo é criar um espaço seguro para orientação, sem julgamentos ou constrangimentos.

10. Uso de álcool e outras drogas

A prevenção ao uso de álcool e outras drogas também precisa fazer parte do trabalho desenvolvido com adolescentes.

Em vez de limitar a abordagem à punição, a escola pode investir em informação, prevenção e diálogo. Quando há mudanças significativas de comportamento ou indícios de uso de substâncias, é importante conversar com o estudante, envolver a família e avaliar a necessidade de encaminhamento para profissionais ou serviços especializados.

Esse cuidado deve estar integrado a uma política mais ampla de promoção da saúde e proteção dos alunos.

Como apoiar os adolescentes no ambiente escolar?

Diante desses desafios, o papel da escola vai além de reagir quando um problema já está instalado. A gestão escolar pode trabalhar de forma preventiva, acompanhando o desenvolvimento dos estudantes e fortalecendo uma cultura de acolhimento.

Algumas ações importantes são:

  • Criar canais seguros de escuta e acolhimento.
  • Capacitar professores para reconhecer mudanças relevantes de comportamento.
  • Manter uma comunicação próxima com as famílias.
  • Estabelecer protocolos para lidar com bullying, cyberbullying e outras formas de violência.
  • Desenvolver ações de educação digital e midiática.
  • Orientar o uso responsável da inteligência artificial.
  • Trabalhar habilidades socioemocionais ao longo da formação.
  • Encaminhar estudantes para atendimento especializado quando necessário.

A saúde mental na adolescência merece atenção contínua, mas a escola não substitui o atendimento de profissionais especializados. Seu papel está em reconhecer sinais, acolher o estudante e contribuir para que ele e sua família encontrem o suporte adequado.

Esse acompanhamento também depende de uma gestão escolar organizada. Centralizar informações acadêmicas, acompanhar o desempenho dos alunos e manter a comunicação com as famílias ajuda a equipe a ter uma visão mais completa da rotina escolar e identificar mudanças que merecem atenção.

Com o Sponte, a instituição reúne diferentes processos da gestão em um único sistema, facilitando o acompanhamento dos alunos e a comunicação com responsáveis. Assim, a tecnologia também pode apoiar uma gestão mais próxima da comunidade escolar.

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Mestra em Letras: Linguagem, Cultura e Sociedade, com ênfase em Literatura, Sociedade e Interartes pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Especialista em Comunicação e Marketing, Liderança e Gestão de Pessoas e em Recursos Humanos. Licenciada em Letras - Português e Inglês e em Pedagogia. Possui experiência na área de educação nos seguintes níveis: Ensino Fundamental II, Ensino Médio, Ensino Técnico e Ensino Superior. Também já atuou no mercado editorial e como autora de materiais didáticos da área de linguagens. Atualmente, é líder do setor de marketing da Sponte by TOTVS.

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