Escola pós-coronavírus: o que podemos aprender para a volta às aulas presenciais?

A volta às aulas vai ser um momento de desafios nas escolas. Saiba o que você precisa para se adaptar à essa nova realidade

Por Cristopher Morais em 09 de setembro de 2020.

A pandemia de COVID-19 transformou completamente nossa sociedade, na forma como nos relacionamos, como trabalhamos e como temos acesso a informações e conhecimentos. 

O dia a dia das escolas foi totalmente transformado com a prática do isolamento social, que forçou gestores escolares e educadores a encontrarem novas formas de exercerem suas funções.

A adaptação ao ensino a distância foi, de fato, muito desafiadora tanto para as instituições de ensino quanto para os alunos e pais. 

A nova rotina obrigou as escolas a lidar com plataformas que até então não eram muito utilizadas, ao menos na grande maioria dos casos. 

Além disso, houve a necessidade da reformulação dos métodos pedagógicos. “Como prender a atenção dos alunos nas aulas on-line?”, “Como serão os métodos de atividades e avaliações?”. Essas eram algumas perguntas que desafiavam sobretudo e gestão pedagógica das escolas.

Recentemente, com o início do debate por parte das secretarias estaduais e municipais de educação a respeito do retorno das aulas presenciais, a atenção dos gestores de escolas se virou para outras questões: “como coordenar a volta dos alunos às escolas?” “Como criar um ambiente seguro para alunos e funcionários?”

Quer conhecer melhor esses desafios, entender como outros países estão lidando com eles e encontrar caminhos para sua gestão escolar? Então continue sua leitura:

Quais desafios temos pela frente?

Pós-coronavírus: o que saber para a volta às aulas | Sponte

Quando se pergunta a opinião de pais e responsáveis sobre o retorno das aulas, as respostas costumam ser mistas. 

Parte apoia a volta às aulas e outra parte não. Isso se dá devido ao clima de insegurança a respeito das condições sanitárias das escolas. 

Muitas famílias se preocupam com a possibilidade dos filhos contraírem o vírus e, além de ficarem doentes, se tornarem um vetor da doença, levando-a para dentro de casa.

Além disso, muitos questionam se as crianças irão de fato respeitar o distanciamento social na escola com os colegas, sobretudo nos momentos fora da sala de aula.

Questões psicológicas

Outro aspecto que pesa muito para a escola é o que tange a individualidade de cada família. O Brasil perdeu mais de 100 mil vidas devido à COVID-19. O luto é um sentimento que se tornou presente no cotidiano de milhares de famílias. 

Nesse contexto a escola precisa estar preparada para receber esses alunos e o corpo pedagógico deve estar ciente que é possível que alguns alunos retornem com um comportamento diferente após o período de quarentena, como um aluno que geralmente é extrovertido passe a ser mais retraído, por exemplo.

Dificuldades financeiras

Mais um ponto importante é a situação financeira de cada família. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil sofreu uma queda de 1,5% no primeiro trimestre de 2020. 

Diversas empresas estão funcionando apenas parcialmente, outras ainda estão esperando para reabrir. Algumas fecharam as portas. Com toda essa instabilidade econômica que o país vem enfrentando é certo que muitas famílias vêm passando por dificuldades financeiras. 

Isso tem um impacto significativo na rotina familiar, podendo interferir no desempenho acadêmico dos alunos.

Além disso, deve-se ressaltar que, com o impacto da pandemia no bolso dos brasileiros, é comum que as famílias reordenem suas prioridades. Isso, infelizmente, pode acarretar aumento de inadimplência por parte dos pagantes das instituições de ensino.

O “novo normal”

No meio de tantas variáveis e incertezas, uma coisa é garantida: as escolas têm um longo caminho pela frente na transição entre o estado de pandemia e o “novo normal”. 

Uma nova rotina escolar deve ser criada para garantir a segurança de todo esse círculo que as instituições de ensino envolvem, e lidar com as famílias após o período de pandemia certamente demandará muito tato por parte da equipe pedagógica e administrativa.

Como alguns países estão lidando com a volta às aulas presenciais?

Muitos países, sobretudo da Ásia e da Europa, já reabriram as escolas e reestabeleceram as aulas presenciais. 

De modo geral, pode-se notar a predileção pelo formato híbrido, que garante mais segurança aos alunos e funcionários das escolas. Confira alguns exemplos:

China:

As escolas chinesas reabriram em tempos diferentes, dependendo de sua localização, depois do isolamento social rígido imposto no país. As escolas das cidades menores reabriram em março, enquanto as instituições das cidades maiores retomaram suas atividades presenciais em abril.

Lá, onde a pandemia teve início, o governo adotou medidas rigorosas para combater a proliferação do vírus nas escolas, com testes de COVID-19 para os alunos, uso obrigatório de máscaras e medição de temperaturas.

Dinamarca: 

No país nórdico as escolas reabriram em etapas, a fim de proteger os alunos e funcionários. Além da abertura gradual, optou-se por priorizar aulas em espaços abertos e dividir as crianças em grupos, bem como delimitar os espaços de convívio, reduzindo o contato entre os alunos. 

Nova Zelândia: 

A Nova Zelândia implementou um sistema que aposta na autonomia das escolas. Fica a cargo de cada instituição definir como será seu processo de transição para a volta às aulas. O objetivo principal é preservar a saúde física e também mental dos alunos.

O que é o sistema híbrido?

Pós-coronavírus: o que saber para a volta às aulas | Sponte

O mais usado pelas escolas que estão retomando as atividades, o sistema híbrido é uma mistura do método tradicional de aulas e o ensino à distância. 

Por ser um meio-termo entre a metodologia usada na pandemia e o ensino presencial, esse método acaba sendo ideal para a adaptação dos alunos à rotina pós-pandemia.

Além disso, após as experiências com as aulas on-line ministradas durante a quarentena, muitas escolas perceberam que a tecnologia pode ser uma importante aliada no processo de aprendizado. 

Atividades e aulas adicionais on-line podem ser ferramentas valiosas para reforçar o estudo fora de sala de aula.

Quais caminhos podemos tomar?

Ao planejar o retorno do funcionamento do espaço físico escolar, a segurança sanitária deve ser prioridade. Os ambientes devem ser limpos com cuidado e com mais frequência.

Durante o uso dos espaços, se recomenda deixar as janelas sempre abertas, proporcionando boa ventilação. 

Contudo, cuidar do ambiente, por mais importante que seja, é só um dos pontos que demandam atenção no processo de reabertura.

Monitoramento de saúde

Uma vez que os alunos estejam em ambiente escolar, é necessário realizar o monitoramento constante de suas condições de saúde, medindo a temperatura e acompanhando a possível presença de algum sintoma, como tosse, espirros, entre outros.

Aplicação do ensino híbrido

O ensino híbrido é uma opção interessante para esse momento de transição, sobretudo se combinado com o escalonamento de turmas. Muitas escolas preferem trabalhar com turmas menores e em dias alternados, para evitar aglomerações e respeitar o distanciamento social.

Fortalecer o contato com os pais e responsáveis

Nos casos de instituições que lidam com ensino básico, a insegurança dos pais e responsáveis em mandar os filhos para a escola nesse momento será um percalço que demandará muita atenção das escolas para contornar. 

O principal aconselhamento nesse caso é manter contato direto e frequente com os responsáveis. Ter notícias assíduas sobre as condições de seus filhos, bem como sobre seu bem-estar, certamente os deixará muito mais tranquilos durante os dias de aula. 

A Sponte, por exemplo, possui ferramentas que permitem o contato direto entre a escola e os responsáveis, tanto por SMS ou por e-mail, além do Portal do Aluno.

Outra maneira de tranquilizar seu público é investir em um canal de comunicação que auxilie a sanar as dúvidas mais frequentes. Pode ser através de um folheto, newsletter, pelas mídias sociais da instituição, por meio de uma área de FAQ no seu site, ou até mesmo em vídeos, caso a escola tenha um canal no YouTube.

Orientar a comunidade escolar

É também de interesse da gestão escolar orientar bem funcionários e alunos a respeito das novas regras de convivência. Todos devem estar bem cientes do seu papel para a diminuição do contágio pelo coronavírus. 

Os funcionários, sobretudo o corpo pedagógico, possuem um papel ainda mais importante nesse processo, que é o contato com os alunos.

Avaliar o desenvolvimento dos alunos

Durante a quarentena, as aulas on-line se mostraram como a solução mais viável para dar continuidade ao cronograma acadêmico. 

Contudo, é necessário estar ciente que é impossível manter o mesmo nível de aprendizado do presencial no meio digital, sobretudo quando se trata da educação básica. Sendo assim, os professores precisam avaliar a situação de cada aluno e seu aprendizado após o período de isolamento social.

Demonstrar apoio ao corpo docente

Na situação complexa e delicada em que estamos, temos que lembrar que o corpo docente também possui suas necessidades. 

Estamos falando de pessoas, e por isso é necessário ser empático à dor do outro e demonstrar o apoio ao corpo docente, sobretudo agora, com tantos desafios à frente. 

Estar em contato direto, procurar saber como estão e demonstrar solidariedade certamente serão ações decisivas para manter um ambiente saudável entre funcionários, pais e alunos.

Seguramente, há muito no que se pensar durante esse processo de transição. A gestão da escola precisa ter uma visão ampla e promover ações que contemplem professores, demais funcionários, pais e alunos, criando um ambiente não só saudável fisicamente, mas também mentalmente. 

Os desafios são grandes, mas também eram quando a pandemia começou. E da mesma forma que a Educação se adaptou alguns meses atrás, certamente o fará novamente.

Quais medidas estão sendo pensadas na sua escola para receber novamente os alunos em sala de aula? Compartilhe suas ideias nos comentários!

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Cristopher Morais / Gerente de Produto

Atualmente é Gerente de Produto, com mais de 10 anos em experiência soluções inteligentes na área da educação, faz parte do time da Sponte há 13 anos.