A escola tem um papel importante na sociedade e seus alunos podem causar impactos positivos por meio do empreendedorismo social; entenda o que é essa prática.
Como gestor, você certamente já sabe da importância de ter uma educação diversa e inclusiva, que promova a igualdade e o bem-estar no ambiente de aprendizado. Mas também é possível ir além dos muros da escola, alcançando sua comunidade e realmente ajudando a mudar o mundo. É aí que entra o empreendedorismo social.
Você conhece esse termo? Ou ainda acha estranho misturar ação social, escola e empreendedorismo?
Para saber como esses três elementos se encaixam em um quebra-cabeça de impacto social, que pode transformar sua escola e sua comunidade, continue a leitura e confira:
O que é empreendedorismo social?
Antes de começarmos a falar sobre o mundo da educação, precisamos entender o conceito de empreendedorismo social e como ele funciona fora da escola, na sociedade como um todo.
Empreendedorismo, como você deve saber, é o ato de perceber oportunidades e criar novos negócios, projetos ou soluções para um problema. Seu principal objetivo é criar algo financeiramente sustentável, que atenda a alguma demanda e gere lucro no processo.
O empreendedorismo social segue alguns desses elementos. Ele também se baseia em encontrar uma demanda e criar uma solução financeiramente sustentável que a atenda.
A diferença aqui é que o foco não está no lucro. A parte financeira é importante, claro, para que o empreendimento seja sustentável, mas ela não deve ser o objetivo final. O sucesso no empreendedorismo social é medido por outra métrica: os impactos sociais que ele causa.

Nesse sentido, ele propõe a criação de projetos que atendam a alguma demanda coletiva, de populações vulneráveis, de comunidades ou do meio ambiente.
Incluem-se nesse grupo projetos de reciclagem, empresas de venda de roupas produzidas por pessoas em situação de vulnerabilidade, programas de distribuição de alimentos, etc. O principal é: o projeto deve gerar impactos sociais na comunidade e ser sustentável financeiramente.
Quais são os três pilares do empreendedorismo social?
O conceito de empreendedorismo social se apoia em três pilares fundamentais, conhecidos em inglês como os 3Ps — People (pessoas), Planet (planeta) e Profit (lucro). Vamos entender o que eles significam neste contexto:
1. Pessoas
O primeiro pilar diz respeito aos impactos sociais do projeto. O empreendedorismo social deve gerar transformações positivas na vida de indivíduos e comunidades.
Isso envolve trabalhar de perto com as comunidades e entender suas necessidades — não de forma vertical, “de cima para baixo”, e sim ao lado das pessoas que fazem parte desse grupo social.
2. Planeta
O tema do segundo pilar é o impacto ambiental do projeto. O empreendedorismo social tem foco em proteger recursos naturais, promover a sustentabilidade, reduzir o desperdício, etc.
A ideia é desenvolver projetos, empresas e produtos que auxiliem na preservação do planeta, no cuidado com o clima e na criação de um futuro sustentável para todos.
3. Lucro
Para concluir, precisamos falar do lucro. Apesar de a geração de dinheiro não ser o foco do empreendedorismo social, projetos desse tipo também precisam gerar receita para se manter e para reinvestir, ampliando o alcance de sua missão social e ambiental.
Por isso, o empreendedorismo social não é simplesmente caridade ou doação. Ele prevê a criação de projetos autossustentáveis, que usem princípios do mundo dos negócios para gerar renda.
Como funciona o empreendedorismo social na escola?
Agora que já falamos sobre como conectar o senso empreendedor com o impacto social, falta apenas a última peça do quebra-cabeça que mencionamos mais cedo. Como levar esse empreendedorismo social para o mundo da educação?
E a resposta está nos seus alunos. Uma escola tem centenas de estudantes vivendo um momento muito importante de suas vidas.
Eles estão aprendendo não apenas como o mundo funciona, mas também qual é o lugar que eles podem ter na sociedade. E o empreendedorismo social permite que eles atuem de forma positiva, ocupando esse espaço e gerando um impacto real na comunidade em que estão inseridos.
Para isso, muitos alunos e professores por todo o Brasil já criam e executam projetos de impacto social e sustentabilidade econômica — algo que sua escola também pode promover.
O que é educação empreendedora?
O empreendedorismo social se encaixa em um conceito maior de educação empreendedora, que prevê que a escola deve dar ao aluno as ferramentas necessárias para que ele seja capaz de empreender.
E “empreender” aqui não é o mesmo conceito que estamos acostumados a ver na mídia ou nas redes. Não significa apenas criar negócios — muitas vezes precarizados — e ganhar dinheiro de forma individual.
Pelo contrário, a ideia aqui segue princípios da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que deixa claro que uma das finalidades do Ensino Médio na contemporaneidade é:
“Proporcionar uma cultura favorável ao desenvolvimento de atitudes, capacidades e valores que promovam o empreendedorismo (criatividade, inovação, organização, planejamento, responsabilidade, liderança, colaboração, visão de futuro, assunção de riscos, resiliência e curiosidade científica, entre outros), entendido como competência essencial ao desenvolvimento pessoal, à cidadania ativa, à inclusão social e à empregabilidade”.
Ou seja: a proposta que defendemos de educação empreendedora é dar aos alunos as competências necessárias para tomarem suas próprias decisões e construírem seu próprio futuro, de forma ativa, participativa e cidadã.
🔎 Leia mais: Tudo sobre a BNCC: sua escola está adequada à nova Base Nacional Comum Curricular?
Qual é a importância do empreendedorismo social na educação?
Em primeiro lugar, o empreendedorismo social é uma forma poderosa de ensinar e praticar a cidadania na escola. Afinal, como vimos, ele permite que os alunos atuem de forma ativa na sua comunidade.
Obviamente, ele também causa um impacto positivo à sociedade, às pessoas e ao meio ambiente, de forma sustentável, inteligente e duradoura.
🔎 Leia mais: Qual é o papel da escola na sociedade?
Além disso, promover o empreendedorismo social na escola é uma forma de preparar os alunos para o futuro, ensinando-lhes habilidades e competências essenciais para serem cidadãos plenos, ativos e relevantes, seja qual for a área em que eles queiram atuar depois de sua formação.
Entre essas competências estão:
- Empatia
- Responsabilidade
- Senso de propósito
- Resolução de problemas
- Trabalho em equipe
- Comunicação
- Pensamento crítico e criativo
- Resiliência
- Valorização da diversidade
- Desenvolvimento sustentável
- Entre outros
🔎 Leia mais: Quais são as competências socioemocionais importantes para desenvolver na escola?
Quais iniciativas podem promover o empreendedorismo social na escola?
Organizamos algumas dicas para desenvolver o empreendedorismo social de forma prática na sua gestão escolar. Confira:
1. Trabalhar o empreendedorismo social no currículo escolar
O primeiro passo é mexer no currículo escolar da sua escola. O empreendedorismo social precisa estar previsto de forma clara no ensino da instituição, seja distribuído em várias disciplinas, seja integrado a oficinas ou disciplinas eletivas.
Vale também acrescentar esse conceito no seu Planejamento Político Pedagógico (PPP), para que ele já esteja previsto na gestão pedagógica de forma institucionalizada.
2. Motivar a formação de docentes para a educação empreendedora
Como vimos, é possível integrar educação e empreendedorismo de uma forma muito eficiente. Mas, para isso, é preciso contar com educadores capacitados.
E, para chegar lá, a gestão escolar pode incentivar seus professores a buscarem projetos de formação continuada focados na educação empreendedora.
🔎 Leia mais: 6 maneiras de motivar a formação continuada de professores na sua escola.
3. Criar projetos ou produtos com impactos sociais na comunidade
Finalmente, é hora de colocar a mão na massa. Reúna seus alunos e comece a desenvolver projetos didáticos que tenham o empreendedorismo social como ponto central.
Para isso, ajude-os a fazer um diagnóstico da comunidade em que a escola está inserida para identificar oportunidades de negócios que tenham impacto social e que sejam financeiramente sustentáveis.
A técnica de brainstorming é uma boa ideia neste momento inicial. Cada aluno de um grupo pode oferecer propostas, que mais tarde serão selecionadas, refinadas, reorganizadas e se transformarão em verdadeiros projetos.
A partir disso, o grupo deve responder a alguns questionamentos:
- Quais são os materiais necessários para o projeto?
- Qual é o investimento inicial?
- Quem vai realizar cada função?
- Qual é a perspectiva de lucratividade?
- Como será o processo de reinvestimento?
Esses são apenas alguns exemplos de questionamentos do mundo dos negócios. Cada tipo diferente de projeto terá ainda outras questões e deve ser discutido com professores, pedagogos e outros profissionais.
- Uma boa ideia para desenvolver o empreendedorismo social na escola é conversar com empreendedores que possam apresentar dicas e ajudar os alunos em seus próprios projetos.
Dicas práticas da BNCC para empreendedorismo social
O site da BNCC também discute o empreendedorismo social e oferece exemplos práticos de escolas que desenvolveram projetos de sucesso.
Entre as propostas estão o acolhimento de pessoas na terceira idade, o desenvolvimento de uma feira de adoção de animais, a confecção de floreiras e a criação de uma horta hidropônica no colégio, e a instalação de comedouros e bebedouros com abastecimento de ração e água para animais de rua.
Você pode conferir os projetos aqui: Empreendedorismo social: boas práticas, por um mundo melhor.
4. Fortalecer a comunicação com a comunidade escolar
Por fim, para potencializar o empreendedorismo social na escola, é preciso melhorar o contato com pais, alunos e com a comunidade. Sua instituição não pode ficar isolada e deve realmente fazer parte da sociedade em que está inserida.
Para isso, conte com boas ferramentas de comunicação, crie eventos dentro dos muros escolares e participe de atividades sociais da sua cidade, bairro ou região.
Cristopher Ronsani Morais
Executivo com mais de 17 anos de experiência nas áreas de Tecnologia e Educação, liderando a gestão de produtos, marketing e experiência do cliente. Graduado em Tecnologia e especialista em Gestão de Negócios. Atualmente, é Diretor de Negócios da Sponte.









