A metodologia de design thinking apresenta cinco etapas fundamentais para solucionar problemas e elas podem ser incorporadas no dia a dia escolar com diversos benefícios.
O caminho para uma escola do futuro não envolve apenas implantar soluções tecnológicas. O mundo contemporâneo demanda também uma gestão pedagógica focada na resolução de problemas, com inteligência e efetividade. E o design thinking pode ser a metodologia certa para implantar esse processo.
Essa forma criativa de abordar a solução de problemas complexos não nasceu no mundo da educação. Mas com sua ênfase no ser humano e sua organização em cinco passos claros e efetivos, a metodologia mostrou um potencial muito grande para o setor escolar.
Além disso, ela pode oferecer resultados incríveis na própria educação, ampliando os horizontes dos alunos, quando implantada em uma aprendizagem baseada em projetos.
Mas e você? Já ouviu falar dessa proposta? Sabe como implantar a metodologia design thinking para melhorar a aprendizagem na escola? Neste artigo, vamos explorar vários elementos desse assunto, confira:
O que é design thinking na educação?
O design thinking não é uma novidade. De fato, a metodologia surgiu nos anos 60, mas se popularizou recentemente e tem espalhado sua influência — que começou no contexto empresarial — para o ambiente educacional.
Ela propõe um método claro e organizado para criar soluções criativas para problemas complexos, sempre prestando muita atenção no “usuário”, seja ele um cliente, seja ele um aluno.
O texto The 5 Stages in the Design Thinking Process (os 5 estágios do processo de design thinking), da Fundação Interaction Design, aprofunda essa contextualização. Segundo ele, o design thinking é uma metodologia “extremamente útil para enfrentar problemas que não estão bem definidos, ou que são desconhecidos”.
Para chegar a esse objetivo, o artigo afirma que a metodologia ajuda a:
- Entender as necessidades humanas envolvidas
- Reformular o problema com foco nas pessoas
- Criar ideias numerosas em sessões de brainstorming
- Adotar uma abordagem de “mãos na massa” para testes e prototipagem
Apesar de ter nascido no ambiente empresarial, essa premissa também vale para o mundo educacional. Afinal, para resolver problemas, sua equipe precisa entender as necessidades dos alunos, professores e de toda a comunidade envolvida — e focar neles a solução do problema.
O mesmo vale para a sala de aula. Seus alunos podem usar os conceitos de design thinking para criar projetos e lidar com situações de forma criativa, inovadora e humana.
As 5 etapas do design thinking
Para alcançar esses objetivos, a metodologia design thinking propõe uma série de etapas não-lineares. Essas fases podem se estender de três a sete, mas aqui vamos seguir a linha do artigo The 5 Stages in the Design Thinking Process e trabalhar com cinco etapas.
Esse é o modelo proposto pelo Instituto de Design Hasso Plattner, de Stanford, reconhecido no mundo todo pelo ensino e pela aplicação de design thinking.
Segundo eles, as cinco etapas são:

1. Criar empatia
A metodologia de design thinking diz que é necessário compreender de forma empática o problema que a escola deseja resolver.
Para isso, é preciso observar a situação, consultar especialistas e, principalmente, se colocar no lugar das pessoas envolvidas. Com uma imersão séria no público, é possível ter uma compreensão mais profunda e pessoal da demanda.
Essa empatia é essencial para resolver o problema de forma focada no ser humano. Afinal, é por meio dela que o gestor pode deixar de lado suas suposições e conquistar uma visão real das necessidades da comunidade.
2. Definir
Agora é hora de organizar as informações coletadas durante a etapa anterior, analisar os dados e definir, de forma clara, quais são os principais problemas identificados — sempre de forma focada nos seres humanos envolvidos.
Por exemplo, se há um grande problema de evasão em sua escola, você não deve defini-lo como:
- “Precisamos aumentar a retenção de alunos em 10%”
Em vez disso, foque nos seres humanos envolvidos. Uma boa definição, no contexto de design thinking, seria:
- “Alunos não estão satisfeitos com algo na escola e estão cancelando suas matrículas”.
A partir desse passo humanizado, você já pode começar a ter algumas ideias de soluções — e aí partimos para a próxima etapa.
3. Organizar ideias
Você já compreendeu seu público, definiu os problemas e agora pode começar a idealizar soluções inovadoras, analisando o problema sob diferentes perspectivas.
Há várias formas de gerar ideias. Um exemplo é a técnica de Brainstorming, ou "tempestade de ideias". Por meio dela, o grupo lança mão de um grande volume de propostas, que podem até ser estranhas ou absurdas, e as filtra e lapida para chegar a conceitos realmente interessantes, viáveis e inovadores.
4. Criar protótipos
Agora é a hora de pegar as várias ideias viáveis que sua equipe organizou na última etapa e experimentá-las, para ver qual traz os melhores resultados para a escola.
Essa prototipagem deve ser feita de forma reduzida, com baixo custo e poucos riscos, para realmente experimentar várias ideias diferentes. A partir disso, você terá uma compreensão melhor de como seu público responde às suas soluções e pode construir produtos finais mais assertivos.
5. Teste
Neste momento, já temos uma ou mais ideias que se provaram viáveis e deram bons resultados nos testes iniciais. Então, é hora de validá-las de forma ampla, para toda a comunidade escolar.
Mas aqui entra a faceta não-linear do design thinking. Esta “fase final” não é, de fato, o fim do processo. Ele é mais uma avaliação, para testar a solução e ver seus resultados no “mundo real”.
Durante esse teste, novos problemas podem surgir, e é hora de voltar a etapas anteriores e desenvolver ainda mais a solução, em um processo de constante evolução.
Qual é a contribuição da metodologia design thinking na educação?
O design thinking tem ocupado cada vez mais espaço em meio às metodologias ativas na educação. E isso se dá pelos benefícios que ele apresenta na gestão pedagógica. Confira os principais:
Promove a empatia e valoriza as pessoas
Como vimos, o design thinking é uma metodologia totalmente focada no ser humano, com uma valorização intrínseca das pessoas envolvidas no processo.
Em um mundo cada vez mais individualizado, esse tipo de atividade no ambiente escolar estimula a cidadania, a empatia e a formação de alunos que realmente se entendem como parte da comunidade.
🔎 Leia mais: Como ensinar e praticar a cidadania na escola?
Estimula criatividade e inovação
O design thinking na educação — principalmente quando usado em sala de aula — favorece o pensamento criativo e a criação de soluções inovadoras, ao abrir o caminho para ideias diferentes e possibilidades “fora da caixa”.
Isso estimula profundamente a criatividade de seus alunos.
🔎 Leia mais: Como desenvolver o pensamento crítico e criativo dos alunos?
Facilita a solução de problemas
Com esse passo a passo claro, humano e comprovado, fica muito mais fácil para sua equipe solucionar problemas de gestão com os melhores resultados possíveis.
O mesmo vale para os alunos que podem usar design thinking em suas lições, por meio da aprendizagem baseada em projetos. Com a metodologia, as soluções são mais fáceis — e esse aprendizado pode seguir com as crianças durante toda a sua vida.
Fortalece a inclusão
Outro resultado positivo de uma boa aplicação de design thinking é o desenvolvimento de uma educação mais inclusiva, que realmente considera as necessidades de cada aluno como parte fundamental do processo de aprendizagem.
🔎 Leia mais: Como sua escola pode ser mais diversa e inclusiva?
Melhora o relacionamento com a comunidade escolar
Ao solucionar os problemas de forma humana — e ensinar seus alunos a fazer o mesmo —, a escola desenvolve uma conexão muito maior com todos os envolvidos, melhorando o engajamento com a comunidade escolar e estimulando um relacionamento mais amigável em todas as etapas.
Como usar o design thinking na escola?
Há duas áreas principais em que você pode aplicar o design thinking na sua instituição de ensino: educação e gestão. Entenda cada uma delas:
Design thinking na educação
Neste caso, você vai aplicar o design thinking como uma metodologia educacional, junto a uma estratégia de aprendizagem baseada em projetos.
Na prática, os professores devem propor projetos ou situações problemas para os alunos explorarem. Então, ensinar os conceitos e as etapas de design thinking para que eles possam aplicá-los no desenvolvimento de soluções para essas demandas.
Vale até pedir para os alunos descreverem, passo a passo, a forma com que aplicaram a metodologia nas lições.
- Dica extra: escolher problemas e desafios reais, que estejam conectados com o dia a dia dos alunos, pode ser uma boa escolha para aumentar o engajamento deles com a metodologia.
🔎 Leia mais: O que é projeto didático e como o gestor pode ajudar no seu desenvolvimento?
Design thinking na gestão escolar
Esta é uma aplicação menos pedagógica e mais prática. É o uso do design thinking no dia a dia da instituição, para resolver os problemas da gestão de uma forma humana e eficiente.
Para isso, vale compartilhar os conceitos da metodologia com toda a sua equipe, e usá-la durante reuniões para resolver problemas práticos da escola.
Use as cinco etapas e lembre-se de que o processo não é linear — é preciso estar sempre melhorando suas soluções com novas avaliações da situação.
Além disso, reúna a comunidade escolar para atuar na metodologia. Esse tipo de gestão participativa pode entregar mais insights, pontos de vista e ideias inovadores.
Por fim, integre a metodologia design thinking com a tecnologia da sua escola. Um sistema de gestão escolar com relatórios em tempo real, por exemplo, é uma excelente opção para melhorar sua percepção da realidade educacional — e serve como uma ótima base para a criação de soluções inovadoras.
Carla Helena Lange
Mestra em Letras: Linguagem, Cultura e Sociedade, com ênfase em Literatura, Sociedade e Interartes pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Especialista em Comunicação e Marketing, Liderança e Gestão de Pessoas e em Recursos Humanos. Licenciada em Letras - Português e Inglês e em Pedagogia. Possui experiência na área de educação nos seguintes níveis: Ensino Fundamental II, Ensino Médio, Ensino Técnico e Ensino Superior. Também já atuou no mercado editorial e como autora de materiais didáticos da área de linguagens. Atualmente, é líder do setor de marketing da Sponte, vertical de Educação da Linx, empresa do grupo Stone Co.









