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Como acolher alunos com altas habilidades na escola | Sponte

Escrito por Carla Helena Lange | Dec 25, 2025 11:30:00 AM

Identificar altas habilidades é o primeiro passo para cuidar de seus alunos superdotados, mas também é importante adaptar o currículo, buscar apoio especializado e mais.

Apesar do trabalho constante para construir uma educação mais diversa e inclusiva, alunos com altas habilidades ainda são invisibilizados ou incompreendidos em escolas do país inteiro.

O senso comum vê esses alunos superdotados como “gênios”, cheios de vantagens, destinados a “vencer na vida”. E isso faz com que muita gente perca de vista os desafios e as dificuldades impostos por essa condição.

Assim, é muito comum que crianças com altas habilidades ou superdotação:

  • Sintam-se excluídas
  • Tenham dificuldade de socialização
  • Sejam taxadas de “bagunceiras”
  • Sofram para acompanhar as aulas
  • Entre outros problemas

Esses desafios, infelizmente, ainda são frequentes em escolas brasileiras. Por isso, alunos com altas habilidades têm uma taxa muito grande de migração escolar, mudando de instituição várias vezes, em busca de um lugar que saiba como acolhê-los e ajudá-los a explorar suas capacidades.

Quer que sua escola seja esse lugar? Quer ser capaz de receber alunos superdotados e auxiliá-los em sua jornada educacional? Então você precisa entender o que são altas habilidades e superdotação para além do senso comum.

O que são altas habilidades e superdotação?

Em entrevista ao portal Nova Escola, a  diretora do Núcleo Paulista de Atenção à Superdotação (NPAS), Denise Arantes Brero, afirmou que “um estudante com altas habilidades e superdotação é aquele que apresenta um potencial ou um desempenho maior que seus pares em alguma área do conhecimento”.

Geralmente são crianças com vocabulário avançado, muita criatividade e sinais precoces de conhecimento e interesse acadêmico.

O psicólogo estadunidense Joseph Renzulli, ex-diretor do National Research Center on the Gifted and Talented (Centro Nacional de Pesquisa sobre Superdotados e Talentosos), definiu essas características de forma mais específica a partir da Teoria dos Três Anéis.

A teoria foi desenvolvida em 1986, mas ainda se mostra atual ao definir a superdotação não apenas pelo QI alto do aluno, mas sim pela intersecção de três características importantes:

  • Habilidade escolar acima da média 
  • Demonstrações de criatividade
  • Motivação e envolvimento com as tarefas 

Renzulli considera que alunos superdotados apresentam uma combinação dos três fatores.

Também é necessário considerar os diferentes tipos de altas habilidades. O próprio Renzulli identifica duas categorias principais:

  • Superdotação Acadêmica: esta categoria compreende alunos que demonstram um excelente raciocínio verbal ou numérico — ou até nas duas áreas. Eles também aprendem rapidamente e buscam ativamente oportunidades de aprendizagem.
  • Superdotação Criativo-produtiva: aqui são elencados alunos cujas altas habilidades estão mais voltadas à criatividade e à criação de produtos originais. Eles apresentam formas diferentes de realizar tarefas e demonstram interesses variados.

Contudo, é importante destacar que nem sempre um aluno com altas habilidades vai encaixar completamente em uma dessas categorias. A superdotação é mais fluída e a escola deve ser flexível para entendê-la.

Os mitos sobre altas habilidades e superdotação

O senso comum está cheio de entendimentos errados sobre alunos com altas habilidades. Muitos acreditam que essas crianças são gênios raros, que devem ter desempenho excepcional em tudo e que têm seu sucesso na vida garantido.

Há também os que pensam que alunos superdotados não precisam de atendimento personalizado, ou mesmo os que acham que eles nem precisam da escola, como se as altas habilidades fossem o suficiente para o “sucesso”.

Esses mitos são um problema. Crianças com altas habilidades e superdotação precisam de ainda mais atenção e devem ser acolhidas por escolas realmente preparadas.

Por outro lado, há quem acredite que a superdotação é um transtorno ou que esses alunos têm um perfil físico, social ou econômico específico.

Isso também está incorreto. A superdotação não é tão rara e não está restrita a um recorte de classe ou a condições físicas.

O que a legislação diz sobre altas habilidades?

O conceito de altas habilidades está previsto na Lei de Diretrizes e Bases (LDB) da educação, que demanda atendimento educacional especializado “aos educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, transversal a todos os níveis, etapas e modalidades, preferencialmente na rede regular de ensino”.

A LDB determina ainda que os sistemas de ensino devem assegurar a esses estudantes:

I - currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos, para atender às suas necessidades.

II - terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de suas deficiências, e aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar para os superdotados.

III - professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para atendimento especializado, bem como professores do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns.

IV - educação especial para o trabalho, visando a sua efetiva integração na vida em sociedade, inclusive condições adequadas para os que não revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo, mediante articulação com os órgãos oficiais afins, bem como para aqueles que apresentam uma habilidade superior nas áreas artística, intelectual ou psicomotora.

V - acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suplementares disponíveis para o respectivo nível do ensino regular.

Diferenças entre altas habilidades, autismo, TDAH e outras condições

Como vimos, a LDB reúne em um grupo alunos com “deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação”, pois todos requerem atendimento na educação especial.

No entanto, é preciso saber diferenciar esses estudantes, pois suas demandas são diferentes.

Alunos com deficiência ou transtornos de desenvolvimento, por exemplo, devem ter um acompanhamento educacional complementar, para que o ensino seja inclusivo e, principalmente, acessível para todos.

O mesmo vale para alunos autistas na escola, que precisam de um atendimento que considere seu aprendizado e seu bem-estar no ambiente educacional — mas sempre de forma personalizada, entendendo as necessidades específicas de cada estudante.

No caso do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), a escola deve focar na dificuldade desses alunos em manter a atenção nas atividades, oferecendo tarefas que os estimulem a participar do processo educativo.

Já alunos com altas habilidades devem receber uma abordagem que compreenda seus interesses, desafie suas capacidades intelectuais, estimule sua socialização e modere as expectativas e a pressão que eles podem estar recebendo.

🔎 Leia mais: Tecnologia assistiva na educação: tenha uma escola mais inclusiva.

Como identificar alunos superdotados?

A identificação de altas habilidades é o primeiro passo para o acolhimento desses alunos. O processo não é tão simples, não se reduz apenas a um teste de QI e não pode ser concluído sem a participação de um profissional capacitado para isso, mas ele pode — e deve — começar na escola.

O primeiro passo é a observação de algumas características comuns de alunos com altas habilidades. Entre elas, podemos mencionar:

  • Notas altas
  • Excelente raciocínio verbal e/ou numérico
  • Leitura por prazer
  • Paixão por aprender
  • Vocabulário extenso
  • Rapidez na aprendizagem
  • Diversidade de interesses
  • Presença de pensamento por analogia
  • Criatividade e originalidade
  • Pensamento fora dos padrões e convenções

Mas é importante lembrar que há diferentes tipos de altas habilidades e que nem todos os alunos vão demonstrar todas essas características. O importante é verificar se algumas delas se destacam com frequência, constância e intensidade.

Também é essencial conversar com professores e familiares, para que eles também monitorem essas características. Mas lembre-se de que muitas vezes pais e responsáveis têm a tendência de ver mais altas habilidades em seus filhos.

Após essa análise, a escola pode propor questionários e até testes de QI, mas lembrando que esse não é um fator determinante. O teste pode sinalizar uma superdotação, mas também é possível que um aluno com altas habilidades não tenha um QI tão alto.

Por fim, um aluno que aponte essas características deve ser levado para uma avaliação mais rigorosa, feita por um profissional especializado.

Como dar acompanhamento e apoio para alunos com altas habilidades?

Ao atender um aluno superdotado, a escola tem o dever de demonstrar acolhimento, dar a ele possibilidades para desenvolver suas habilidades e cuidar da sua saúde mental.

Além disso, é preciso equilibrar a atenção a esses estudantes, deixando claro que eles não são “melhores” ou “mais importantes” do que os demais. 

Com esses objetivos em mente, organizamos 10 pontos que sua instituição pode buscar para acolher seus estudantes.

1. Identificar alunos superdotados

O primeiro passo é a identificação, que já explicamos acima. A partir de uma análise rigorosa sua equipe saberá quais alunos devem ter essa atenção específica.

2. Enriquecer e flexibilizar o currículo escolar

Alunos com altas habilidades precisam de altos estímulos, com atividades, práticas e tarefas que realmente os desafiem e os levem a desenvolver suas capacidades intelectuais.

Isso envolve práticas como gamificação, atividades de cultura maker, metodologias ativas, projetos didáticos, entre outras.

Além disso, o currículo deve ser flexível, para que possa se adaptar às necessidades não apenas dos estudantes superdotados, mas de todos os seus discentes.

🔎 Leia mais: O que é currículo escolar e como construir o da sua escola.

3. Desenvolver atividades extracurriculares

Para além das tarefas tradicionais, alunos superdotados podem aproveitar muito as atividades extracurriculares na escola. Afinal, são novos desafios, com estímulos diferenciados.

4. Contar com professores capacitados

Os professores precisam estar preparados para acolher esses alunos, estimulá-los, moderar as expectativas e evitar comparações com outros estudantes. 

Para isso, é importante contar com uma boa capacitação inicial, além de formação continuada constante.

🔎 Leia mais: 6 maneiras de motivar a formação continuada de professores na sua escola.

5. Buscar apoio especializado e parcerias 

Para ampliar as possibilidades de seus alunos superdotados, busque núcleos especializados na sua região. Esse apoio vai potencializar muito o tipo de atividades e estímulos para seus estudantes.

O mesmo vale para universidades, que podem acolhê-los em atividades extracurriculares interessantes e experiências enriquecedoras.

6. Oferecer atendimento educacional especializado (AEE)

É dever da escola oferecer a seus alunos superdotados atividades de AEE, que são suplementares ao ensino tradicional em sala de aula.

7. Desenvolver competências socioemocionais

Alunos com altas habilidades muitas vezes são vulneráveis a problemas de saúde mental e dificuldades de socialização. Então a educação socioemocional é muito importante no contexto escolar.

Com o desenvolvimento de boas competências socioemocionais, esses estudantes estarão mais preparados para lidar com pressões e outros desafios do seu dia a dia.

🔎 Leia mais: Quais são as competências socioemocionais importantes para desenvolver na escola?

8. Estimular a socialização com os colegas

A criança superdotada muitas vezes é tímida, ou sente-se deslocada do restante da turma. Então busque estimular a socialização com os colegas, lembrando sempre que ninguém é melhor do que ninguém e que todos têm o direito de aprender em um ambiente acolhedor.

🔎 Leia mais: Timidez na escola: como ajudar alunos tímidos na gestão pedagógica?

9. Envolver os pais e responsáveis

O aprendizado de um alunos superdotado depende diretamente da participação da família, por isso, busque desenvolver um bom relacionamento com pais e responsáveis, envolva-os no dia a dia educacional e trabalhe para melhorar a comunicação escolar.

🔎 Leia mais: 10 dicas para manter um bom relacionamento escola-família.

10. Otimizar o acompanhamento pedagógico

Parte do trabalho da gestão pedagógica é acompanhar o desenvolvimento de seus estudantes, e isso é ainda mais essencial no caso de alunos com altas habilidades. É fundamental observar de perto os resultados e a evolução dessas crianças e adolescentes.

Para isso, vale a pena buscar ferramentas que otimizem esse processo. O sistema de gestão escolar Sponte é um exemplo, com relatórios em tempo real, registros simplificados e acesso completo às informações pedagógicas em poucos cliques.

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